Um surto do vírus Nipah (NiV) no estado de Bengala Ocidental, na Índia, mantém autoridades em alerta após a confirmação de cinco casos entre médicos e enfermeiros ligados a um mesmo hospital. Quase 100 pessoas foram orientadas a cumprir quarentena, e os pacientes estão sendo tratados na capital estadual, Calcutá, com um deles em estado crítico, conforme informe do departamento de saúde local.

O vírus Nipah circula principalmente entre morcegos do gênero Pteropus, que se alimentam de frutas, mas pode infectar outros animais e humanos por meio de alimentos contaminados ou transmissão direta entre pessoas. Quando atinge o ser humano, o NiV pode provocar desde sintomas respiratórios até encefalites graves. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os sinais iniciais geralmente incluem febre, dores de cabeça, mialgia (dor muscular), vômitos e dor de garganta, podendo evoluir para tonturas, sonolência, consciência alterada e sinais neurológicos indicativos de encefalite aguda. Alguns pacientes desenvolvem pneumonia atípica e problemas respiratórios graves, incluindo desconforto respiratório agudo.
Nos casos mais severos, encefalite e convulsões surgem rapidamente, progredindo para coma em 24 a 48 horas. O período de incubação varia de 4 a 14 dias, embora já tenha sido relatado intervalo de até 45 dias. A taxa de letalidade é estimada entre 40% e 75%, dependendo do surto, da vigilância epidemiológica e da capacidade de atendimento médico local.
Não existem medicamentos antivirais específicos nem vacinas aprovadas contra o Nipah, embora a OMS o tenha classificado como prioridade para pesquisa e desenvolvimento. O tratamento atual se restringe a cuidados intensivos de suporte para manejo da respiração grave e complicações neurológicas.
O vírus foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre fazendeiros de porcos na Malásia. Desde então, surtos menores ocorreram em Bangladesh, Índia, Malásia, Filipinas e Singapura. Os morcegos hospedeiros estão presentes em toda a Ásia e Pacífico Sul, abrangendo Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas, Tailândia e Austrália.
No surto original, a transmissão ocorreu pelo consumo de porcos infectados. Em Bangladesh e Índia, a fonte mais provável tem sido o consumo de frutas ou derivados contaminados com urina ou saliva de morcegos. A transmissão entre humanos foi documentada entre familiares e cuidadores por contato próximo com secreções e excreções de pacientes. Em um surto na Índia em 2001, 75% dos casos ocorreram entre funcionários ou visitantes de hospital. Entre 2001 e 2008, cerca de metade dos casos em Bangladesh resultou de transmissão pessoa a pessoa durante cuidados a infectados.
Com informações de O Globo.