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Hillary Clinton acusa governo Trump de encobrir arquivos de Jeffrey Epstein
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A ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, acusou a administração do presidente Donald Trump de realizar um encobrimento em relação aos arquivos ligados ao falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein. As declarações foram feitas durante entrevista à BBC, concedida em Berlim, onde ela participou do Fórum Mundial anual.

ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton
Ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton (Foto: Reprodução/BBC)

“Divulguem os arquivos. Eles estão enrolando”, afirmou Hillary Clinton à emissora britânica. Ela criticou a forma como o Departamento de Justiça tratou a liberação dos documentos, alegando que o governo estaria “slow-walking” o processo, o que configuraria um “continuing cover-up”.

Milhões de novas páginas de arquivos relacionados a Epstein foram tornadas públicas no início deste mês pelo Departamento de Justiça dos EUA. O vice-procurador-geral explicou que cerca de três milhões de páginas permaneceram retidas por conterem prontuários médicos pessoais, descrições gráficas de abuso infantil e materiais que poderiam comprometer investigações em curso.

A Casa Branca rebateu as acusações, afirmando que “fez mais pelas vítimas do que os democratas jamais fizeram”. O governo destacou a liberação de milhares de páginas, a cooperação com intimações do Comitê de Supervisão da Câmara e o apoio a novas investigações sobre aliados democratas de Epstein.

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Questionada sobre se Andrew Mountbatten-Windsor — ex-príncipe e irmão do rei Charles 3° — deveria depor perante um comitê do Congresso, Hillary Clinton respondeu: “Eu acho que todas as pessoas deveriam testemunhar se forem convocadas para isso”. O ex-príncipe sempre negou qualquer conduta ilegal e firmou acordo extrajudicial em 2022 sem admissão de culpa. Aparecer nos arquivos não indica envolvimento em irregularidades.

Hillary Clinton defendeu que sua audiência e a de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, sejam realizadas em público. “Vamos comparecer, mas achamos que seria melhor que fosse em público”, disse ela à BBC. O casal aceitou depor após uma votação por desacato ao Congresso ter sido suspensa. Bill Clinton testemunhará em 27 de fevereiro, e Hillary no dia anterior — 26 de fevereiro.

O presidente republicano do comitê, James Comer, acusou os Clinton de “protelar” e afirmou que o casal “cedeu” diante da ameaça de votação por desacato. Hillary respondeu: “Eu só quero que seja justo. Quero que todos sejam tratados da mesma forma”. Ela acrescentou: “Não temos nada a esconder. Pedimos por diversas vezes a divulgação integral desses arquivos. Acreditamos que a transparência é o melhor remédio.”

A ex-candidata presidencial argumentou que ela e o marido estariam sendo usados para desviar atenção de Donald Trump. “Vamos falar dos Clinton — até da Hillary Clinton, que nunca encontrou esse homem”, declarou. Hillary afirmou ter conhecido Ghislaine Maxwell, ex-namorada e cúmplice de Epstein condenada por ajudar nos abusos, “em poucas ocasiões”. Bill Clinton admitiu contatos com Epstein, mas disse ter rompido relações há cerca de duas décadas.

Nenhum dos Clinton foi acusado de irregularidades pelas vítimas de Epstein, e ambos afirmam não ter conhecimento dos crimes na época. Trump, também mencionado nos arquivos, negou qualquer envolvimento: “Fui inocentado. Não tive nada a ver com Jeffrey Epstein. Eles investigaram esperando encontrar algo, e encontraram exatamente o contrário”. O Departamento de Justiça classificou algumas alegações contra Trump como “infundadas e falsas”.

Epstein foi encontrado morto em 10 de agosto de 2019, em uma cela de prisão em Nova York, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual. A justiça americana concluiu que ele tirou a própria vida. A divulgação dos arquivos ocorreu após aprovação de lei no Congresso obrigando a liberação de materiais das investigações. Parlamentares, incluindo o deputado republicano Thomas Massie, cobram a publicação de memorandos internos sobre decisões passadas do Departamento de Justiça em relação a Epstein e seus associados.

Com informações da BBC.

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