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Lula defende na Índia governança global da IA sob liderança da ONU durante cúpula em Nova Délhi
Termômetro da Política
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quinta-feira (19), em Nova Délhi, na Índia, a necessidade de uma governança global da inteligência artificial coordenada pela Organização das Nações Unidas (ONU). A declaração foi feita durante discurso na Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, quarto encontro do Processo de Bletchley, série de reuniões intergovernamentais iniciada em Bletchley Park, no Reino Unido, em novembro de 2023.

Lula reconheceu os benefícios da revolução digital e da inteligência artificial em diversas áreas
Lula reconheceu os benefícios da revolução digital e da inteligência artificial em diversas áreas (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

“A Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua perigosamente. É nesse contexto que a governança global da inteligência artificial assume um papel estratégico. Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas”, afirmou Lula.

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O presidente destacou duas iniciativas internacionais já em curso: a proposta chinesa de criação de uma organização internacional para cooperação em inteligência artificial voltada a países em desenvolvimento e a Parceria Global em Inteligência Artificial, promovida no âmbito do G7 sob as presidências canadense e francesa.

“Mas nenhum desses foros substitui a universalidade das Nações Unidas para uma governança internacional da inteligência artificial que seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento”, avaliou.

Lula reconheceu os benefícios da revolução digital e da inteligência artificial em áreas como produtividade industrial, serviços públicos, medicina, segurança alimentar e energética. Ao mesmo tempo, alertou para os riscos associados à tecnologia.

“Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia. Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital”, disse o presidente, citando ainda o potencial da IA para fomentar discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil e feminicídio.

“O Brasil defende uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta que a Inteligência Artificial fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países”, concluiu.

O posicionamento brasileiro reforça a busca por um modelo inclusivo de regulação da IA, que equilibre inovação tecnológica com salvaguardas éticas e democráticas, em um cenário de avanço acelerado da Quarta Revolução Industrial e enfraquecimento do multilateralismo global.

Fonte: Agência Brasil

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