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Conheça o aiatolá Alireza Arafi, substituto do líder supremo iraniano assassinado pelos EUA
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Alireza Arafi
Alireza Arafi é considerado um dos homens de confiança de Khamenei e apontado como possível sucessor (Foto: Mostafa Meraji via Wikimedia Commons)

O aiatolá Alireza Arafi assumiu neste domingo (1º) o posto de líder supremo interino do Irã, um dia após a morte do aiatolá Ali Khamenei em ataque militar coordenado por Estados Unidos e Israel. Arafi foi eleito chefe do Conselho interino de liderança, com a responsabilidade de conduzir o processo de escolha do novo líder supremo pela Assembleia dos Especialistas.

“O Conselho de Discernimento do Interesse do Estado elegeu o aiatolá Alireza Arafi como membro do conselho interino de liderança”, anunciou o porta-voz do conselho, Mohsen Dehnavi, em publicação na rede X.

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Nascido em 1959 na cidade histórica de Meybod, na província de Yazd, Arafi tem 67 anos e pertence a uma família de clérigos xiitas. Seu pai, o aiatolá Mohammad Ibrahim Arafi, é descrito pela mídia estatal iraniana como próximo ao fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini. Com 21 anos na época da Revolução Islâmica de 1979, Arafi não integrou a primeira geração de revolucionários, mas ganhou destaque após a ascensão de Khamenei ao posto de líder supremo em 1989.

Sua trajetória religiosa inclui marcos importantes: em 1970, mudou-se para Qom para aprofundar os estudos iniciados com o pai; em 1992, tornou-se líder da oração de sexta-feira em Meybod; entre 2008 e 2018, presidiu a Universidade Al-Mustafa Internacional, em Qom; em 2015, assumiu a liderança da oração de sexta-feira em Qom; em 2016, foi nomeado chefe de todos os seminários do país; e, desde 2019, integra o Conselho dos Guardiães, órgão máximo de controle da República Islâmica, composto por 12 membros e com poder de vetar políticas governamentais ou candidaturas políticas.

Arafi detém o título de mujtahid, o que o qualifica como estudioso islâmico de alto nível, com autoridade para interpretar a Sharia e deduzir regras jurisprudenciais diretamente do Alcorão e da Sunnah. Suas especializações abrangem jurisprudência islâmica (fiqh) e filosofia. Fluente em árabe e inglês, é reconhecido também como especialista em tecnologia.

Em maio de 2022, Arafi encontrou-se com o Papa Francisco no Vaticano, durante visita oficial à Itália e ao Estado pontifício. Na ocasião, transmitiu uma mensagem de Ali Khamenei ao líder católico. Khamenei saudou os esforços de Francisco em prol dos oprimidos e sua proximidade com a América Latina, expressando expectativa de posições firmes sobre a Palestina e o Iêmen. O papa retribuiu as saudações a Khamenei e às autoridades iranianas, concordando com a necessidade de convergência entre religiões.

A escalada que culminou na morte de Khamenei tem raízes no longo conflito envolvendo o programa nuclear iraniano. Neste sábado (28), EUA e Israel lançaram ataque coordenado contra o território iraniano, com o objetivo declarado de destruir instalações nucleares. O presidente americano, Donald Trump, afirmou: “Nós garantiremos que o Irã não terá uma arma nuclear”. Ele acrescentou: “Sempre foi a política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que este regime terrorista nunca poderá ter uma arma nuclear”.

O governo iraniano nega possuir arma nuclear, mas a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e parte da comunidade internacional contestam essa afirmação. Em junho de 2025, os Estados Unidos já haviam bombardeado estruturas nucleares iranianas em apoio a Israel, durante conflito armado. Na ocasião, Trump declarou que as instalações foram destruídas, enquanto o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, avaliou que os danos foram graves, mas não totais.

Com informações do portal g1.

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