Uma guerra nuclear envolvendo as principais potências atômicas poderia durar poucas horas no aspecto militar, mas seus efeitos seriam catastróficos e de longo prazo para o planeta inteiro, com risco real de inviabilizar a vida na Terra, segundo especialistas ouvidos em reportagem especial publicada neste domingo.

O físico e engenheiro nuclear Marco Antônio Saraiva Marzo alerta que “é muito difícil responder quanto tempo duraria um conflito nuclear, mas uma guerra total envolvendo as potências (nucleares), especialmente as maiores, poderia levar à destruição do mundo”. Ele ressalta que, em um cenário de confronto direto, os ataques ocorreriam em questão de horas, mas as consequências se prolongariam por décadas.
Matias Spektor, professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas, complementa que “haveria aniquilação mútua ou a emissão de tanta radiação que a vida na Terra seria inviabilizada”. Os especialistas destacam que a retaliação automática, comum nos sistemas de defesa nuclear das grandes potências, poderia desencadear uma sequência rápida de contra-ataques, levando a uma escalada incontrolável.
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Atualmente, nove países possuem armas nucleares: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte. Enquanto novos atores buscam ingressar no clube atômico, as nações já detentoras da tecnologia seguem modernizando e ampliando seus arsenais, com programas de atualização que aumentam a precisão e o poder destrutivo das armas.
“O desarmamento nuclear está praticamente paralisado há décadas”, observam os analistas, apontando que a combinação de mais armas disponíveis e menos mecanismos diplomáticos eficazes de contenção eleva significativamente o risco global.
Os efeitos de um conflito nuclear não se limitariam às áreas diretamente atingidas. A contaminação radioativa, alterações climáticas extremas e o colapso das cadeias alimentares globais afetariam todos os continentes. “Em uma guerra nuclear total, norte e sul seriam atingidos. É um problema de toda a humanidade”, afirma Marco Antônio Saraiva Marzo.
Especialistas enfatizam que as simulações científicas indicam consequências planetárias graves, independentemente de quem inicie o conflito, com impactos que poderiam durar gerações e ameaçar a própria sobrevivência da espécie humana.
Com informações do Fantástico.