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Lula destaca fortalecimento da defesa e autonomia do Brasil em minerais críticos
Termômetro da Política
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta segunda-feira (9), no Palácio do Planalto, em Brasília, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e destacou a necessidade de os dois países investirem na autonomia e no fortalecimento de suas capacidades de defesa por meio da produção própria de equipamentos militares.

"Não precisamos ficar comprando dos 'Senhores das Armas'. Nós poderemos produzir", disse o presidente Lula
“Não precisamos ficar comprando dos ‘Senhores das Armas’. Nós poderemos produzir”, disse o presidente Lula (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

“Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente. O Brasil tem necessidade similar à da África do Sul. Portanto, vamos juntar o nosso potencial e ver o que podemos construir juntos”, disse Lula ao líder sul-africano.

O presidente brasileiro defendeu que Brasil e África do Sul articulem uma parceria estratégica para se tornarem um mercado relevante na indústria de defesa. “Não precisamos ficar comprando dos ‘Senhores das Armas’. Nós poderemos produzir. Ninguém vai ajudar a gente, a não ser nós mesmos”, pontuou.

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Lula reiterou o caráter pacífico da América do Sul e o uso civil das tecnologias desenvolvidas na região. “Aqui, na América do Sul, nós nos colocamos como uma região de paz. Aqui, ninguém tem bomba nuclear, bomba atômica. Nossos drones são para agricultura, para a ciência e tecnologia e não para a guerra.”

Durante a declaração à imprensa, após a assinatura de acordos bilaterais nas áreas de turismo, comércio exterior e indústria, Lula manifestou “profunda preocupação” com a escalada do conflito no Oriente Médio, iniciado em 28 de fevereiro com ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que resultaram na morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, e de quase duas centenas de pessoas em Teerã.

“O diálogo e a diplomacia constituem o único caminho viável para a construção de uma solução duradoura”, afirmou. O presidente destacou que o conflito já provoca alta no preço do petróleo em quase todo o mundo, com tendência de encarecimento ainda maior, e alertou para os impactos humanitários e econômicos. “Esses conflitos produzem efeitos deletérios sobre as cadeias de energia, de insumos e de alimentos. São mais vulneráveis, sobretudo, as mulheres e as crianças que sofrem os impactos mais severos dessas crises”, declarou.

Lula também abordou o potencial brasileiro para exploração de minerais críticos, essenciais à transição energética e digital. Ele defendeu repensar o modelo de exploração desses recursos. “Já está avisado ao mundo que o Brasil não vai fazer das terras raras e dos minerais críticos aquilo que foi feito por minério de ferro. A gente vendeu o minério e comprou produto acabado pagando 100 vezes mais caro.”

O presidente enfatizou a importância de fortalecer as cadeias produtivas da mineração em parceria com a África do Sul, aproveitando o conhecimento sobre o potencial mineral das duas nações. “Chega! Já levaram toda a nossa prata, todo o nosso ouro, todo o nosso diamante, todo o nosso minério de ferro. O que mais querer levar? Quando a gente vai aprender que Deus colocou toda essa riqueza para nós e nós ficamos dando para os outros?”, questionou.

Para Lula, não se trata de decisão política isolada, mas de tirar proveito da exploração desses minerais para melhorar as condições de vida da população.

No campo da democracia, o presidente confirmou que participará, em 18 de abril, em Barcelona, da quarta reunião Em Defesa da Democracia, a convite do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. “Queremos aproximar nossos países nos temas de regulação do ambiente digital, inteligência artificial e a valorização das fontes de informação de qualidade, incluindo tantas políticas domésticas quanto a articulação para fortalecer essa agenda no ambiente multilateral.”

Ao final, Lula reforçou a convicção compartilhada entre Brasil e África do Sul de que o Sul Global deve ter voz ativa nas grandes decisões internacionais. A visita oficial de Ramaphosa ao Brasil prossegue até esta terça-feira (10).

Fonte: Agência Brasil

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