A espanhola Noelia Castillo, 25, venceu nesta quinta-feira (26) uma longa disputa judicial, que durou 601 dias, para ter direito à eutanásia, um processo que assegura morte assistida, na Catalunha. Noelia vivia em Barcelona e ficou paraplégica após se jogar do quinto andar de um prédio em outubro de 2022. Noelia relatava ter passado por abusos e agressões sexuais antes da tentativa de suicídio.

De acordo com o El País, ela pediu a eutanásia depois da queda e teve o pedido aprovado em julho de 2024 por uma comissão pública catalã. A Comissão de Garantia e Avaliação da Catalunha, formada por juristas e profissionais de saúde, concluiu que o quadro não era “recuperável”. O órgão apontou dependência grave, dor e sofrimento crônico e incapacitante, o que atende aos requisitos previstos na lei espanhola de eutanásia.
A eutanásia estava marcada inicialmente para 2 de agosto de 2024, mas foi suspensa após um pedido do pai, Gerónimo Castillo. Segundo a mídia local, a solicitação abriu uma sequência de recursos que levou o caso a diferentes instâncias da Justiça.
Em entrevista ao programa ‘Y ahora Sonsoles’, da emissora Antena 3, Noelia disse que quer encerrar o processo sem a presença de familiares.
“Não quero ninguém dentro, não quero que me vejam fechando os olhos”, afirmou.
Ela relatava ter tido sofrimento físico e emocional durante a decisão final de seu processo.
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“Quero ir embora em paz e deixar de sofrer…E ponto.”
A família de Noelia se opôs à eutanásia, e o pai pediu à Justiça que interrompesse o procedimento. Ela afirmou que se sentiu atacada ao comunicar a decisão em casa:
“Me disse que eu não tinha coração, que não pensava nos outros, que era mentira tudo o que eu dizia. Me doeu”.
Ao longo da disputa, a Justiça espanhola rejeitou o argumento de que Noelia não teria capacidade mental para decidir. O caso passou por um juizado de Barcelona e pelo Tribunal Superior de Justiça da Catalunha, que mantiveram a autorização, segundo o El País. O Supremo Tribunal da Espanha recusou o recurso em janeiro, e o Tribunal Constitucional não adotou medidas para suspender o procedimento. O Tribunal Europeu de Direitos Humanos também não barrou a eutanásia, removendo a última tentativa de impedir a aplicação.
Entidade ultracatólica Abogados Cristianos, que assessorou o pai, fez campanha pública contra a decisão.
“De verdade, alguém acha que essa garota que aparece maquiada, penteada e sorridente merece morrer?”, escreveu o grupo em uma postagem no X.
Noelia disse que enfrentou problemas familiares desde a adolescência e que recebeu tratamento psiquiátrico desde os 13 anos. Em entrevista ao programa espanhol, ela afirmou:
“Nunca me senti compreendida, sempre tive problemas de convivência”.
Ela também relatou episódios de abuso e agressões sexuais e disse que teve outras tentativas de suicídio antes de 2022. Segundo o El País, a jovem contou que a última agressão ocorreu pouco antes de ela se jogar do prédio.
Durante a espera, Noelia viveu em uma residência sociossanitária em Sant Pere de Ribes, com dores constantes e sofrimento psíquico. Em audiência judicial, ela resumiu:
“Todos os dias são horríveis e dolorosos”.
Com informações do portal UOL.
Matéria atualizada às 18h46.