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Discurso inesperado de Melania Trump recoloca caso Epstein no centro das atenções e expõe divergências na Casa Branca
Termômetro da Política
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Em uma aparição surpresa na Casa Branca na quinta-feira (9), a primeira-dama Melania Trump pronunciou palavras que interromperam a cobertura sobre o Irã nos canais de televisão dos Estados Unidos e trouxeram de volta à tona o escândalo envolvendo Jeffrey Epstein.

Melania Trump negou ter tido qualquer relacionamento com Epstein (Foto: Reprodução/X)

Sem qualquer aviso prévio, mesmo para membros da própria administração, Melania subiu ao púlpito ladeada por bandeiras americanas e começou seu pronunciamento de forma direta: “As mentiras que me ligam ao vergonhoso Jeffrey Epstein precisam acabar hoje.”

Lendo um comunicado preparado, ela negou ter tido qualquer relacionamento com Epstein ou com Ghislaine Maxwell, afirmou que não foi apresentada ao marido por Epstein e declarou não ter conhecimento dos crimes cometidos pelo financista. Ao final, a primeira-dama pediu a realização de audiências públicas no Congresso para que sobreviventes possam testemunhar e ajudar a revelar a verdade.

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A declaração surpreendeu por seu timing e por colocar Melania Trump, que costuma adotar um perfil discreto e estratégico em suas aparições públicas, diretamente no centro do caso que tem assombrado o governo do marido.

A jornalista investigativa Vicky Ward, que acompanha o caso Epstein há décadas, considerou o momento confuso. “Acho que se Melania Trump tivesse feito isso no início da crise de Epstein, há um ano, e tivesse convocado o Congresso a registrar os depoimentos das vítimas e ouvir suas histórias, nos sentiríamos de forma bem diferente”, afirmou.

Ward também destacou que não existe praticamente nada nos arquivos Epstein envolvendo Melania Trump, além de um único e-mail amigável enviado a Ghislaine Maxwell. “Fico perplexa com isso. Não acho que alguém jamais tenha acreditado que ela fosse uma vítima.”

A reação ao discurso foi imediata. Treze sobreviventes, junto com a família de Virginia Roberts Giuffre, divulgaram um comunicado criticando a iniciativa. “A primeira-dama Melania Trump agora está transferindo o ônus para os sobreviventes em condições politizadas que protegem aqueles que detêm poder: o Departamento de Justiça, as forças de segurança, os promotores e o governo Trump, que ainda não cumpriu integralmente a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein.”

Uma das signatárias, Marina Lacerda, que tinha 14 anos quando foi abusada por Epstein, criticou duramente a primeira-dama em vídeo: “Parece que você está apenas tentando desviar a atenção de uma coisa para outra. Então, como isso beneficia a família Trump, é a minha pergunta.”

Por outro lado, a sobrevivente Lisa Phillips elogiou o gesto de Melania por confrontar a narrativa do Departamento de Justiça de que o caso estaria encerrado, chamando-o de “movimento ousado”. Ainda assim, ela cobrou ações concretas: “O que eu faria é confrontá-la e pressioná-la um pouco, dizendo: ‘ok, agora que você disse isso, o que pode fazer? O que pode fazer para nos ajudar? E o que pode fazer para nos fazer avançar?'”

O presidente Trump afirmou não ter sido informado previamente sobre o pronunciamento, embora um porta-voz da primeira-dama tenha dito inicialmente o contrário. Barry Levine, autor de um livro sobre Epstein e Maxwell, destacou a importância de Melania ter reconhecido as vítimas e se posicionado em desacordo com o marido, que costuma classificar as discussões sobre os arquivos como “uma farsa”.

A autora Tammy Vigil observou que o comunicado não mencionou o presidente, o que revelaria uma fissura na Casa Branca. “Ela está promovendo uma agenda que, por todas as aparências externas, ele não quer promover. Então ela está ajudando sua própria agenda. É uma declaração muito independente.”

Democratas viram no episódio uma oportunidade política. O deputado Robert Garcia, principal democrata no Comitê de Supervisão da Câmara, cobrou que o governo siga o exemplo da primeira-dama: “Se Melania Trump quer justiça de verdade, ela deveria pedir ao marido que divulgue o restante dos arquivos Epstein e garanta que Pam Bondi testemunhe.”

O presidente do mesmo comitê, o republicano James Comer, concordou com a ideia de audiências com sobreviventes e afirmou que elas serão realizadas assim que a investigação atual for concluída.

Com informações da BBC.

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