O governo do presidente norte-americano Donald Trump anunciou, nesta quarta-feira (1º), a imposição de sanções econômicas contra dois cidadãos brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma empresa estabelecida em Portugal. A medida, formalizada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, fundamenta-se em uma suposta ligação dos alvos com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Trata-se da primeira rodada de sanções financeiras divulgada pela gestão Trump contra indivíduos e corporações vinculados ao grupo após os EUA terem classificado o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais em junho passado.

Os cidadãos brasileiros atingidos pela sanção são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. No âmbito corporativo, as sanções recaíram sobre as firmas brasileiras Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda e Wave Construções Inteligentes Ltda, além da companhia portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda. No comunicado emitido pelo Departamento do Tesouro, o PCC foi classificado novamente como a “maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental” e apontado como uma “ameaça significativa à segurança nacional dos EUA”, sob a acusação de utilizar o sistema financeiro norte-americano para ocultar e lavar ativos.
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De acordo com o governo dos Estados Unidos, os dois brasileiros e as companhias citadas integrariam uma rede internacional de lavagem de dinheiro capitaneada pelo PCC, que vem sendo alvo de investigações no estado da Flórida. O documento oficial reporta que outros seis indivíduos acusados de compor essa mesma estrutura financeira foram presos em território americano em janeiro deste ano. A designação do PCC e do CV como organizações terroristas pelo Departamento de Estado em junho ocorreu de forma contrária aos pedidos do governo federal brasileiro, abrindo prerrogativa para medidas unilaterais duras por parte dos EUA, incluindo o sancionamento de cidadãos e empresas e, em cenários extremos, intervenção direta no território nacional.
A inteligência norte-americana apontou Victor Henrique de Oliveira Shimada como um “elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais”. Ele é acusado pelas autoridades dos EUA de lavar mais de US$ 30 milhões (o equivalente a cerca de R$ 156 milhões) em fundos ilícitos obtidos em diferentes cidades norte-americanas, valendo-se de criptomoedas para transferir os valores de retorno ao Brasil em benefício da facção, além de se envolver em múltiplos crimes financeiros.
Shimada já havia sido denunciado pelo Ministério Público de São Paulo em julho de 2025 pelo crime de lavagem de dinheiro nas investigações do escândalo envolvendo a empresa VaideBet, ex-patrocinadora do Corinthians. O Tesouro americano citou que a Victory Trading, empresa em que Shimada possui sociedade, foi usada para lavar recursos desviados de um clube de futebol brasileiro, embora o nome do time paulista não tenha sido explicitado no texto. A firma Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, com sede em Portugal e da qual ele também é sócio, foi igualmente incluída no bloqueio.
Em relação a Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, as investigações americanas apontaram que ela possui grau de parentesco com Shimada e exercia a função de secretária do investigado. A brasileira é acusada de atuar como intermediária no recolhimento de elevadas somas de dinheiro em espécie, provendo suporte logístico considerado essencial para o funcionamento das operações da rede de lavagem. O subsecretário norte-americano para Terrorismo e Inteligência Financeira, Gene Lange, manifestou-se no comunicado oficial ressaltando que o governo Trump está enfrentando de forma direta a “crescente presença da geração de receitas ilícitas do Primeiro Comando da Capital dentro dos EUA”.
Com informações de portal g1.