Pelo menos 47 pessoas morreram após um terremoto de magnitude 7,7 atingir a Indonésia neste sábado, conforme novo balanço da agência nacional de gestão de desastres (BNPB). O número oficial de vítimas tem crescido à medida que as operações de busca e resgate avançam. A BNPB também alertou para feridos em diferentes graus.

O epicentro do tremor, registrado às 05h58 no horário local (18h58 de sexta-feira em Brasília), foi localizado a 15 km de profundidade. Quanto mais superficial o terremoto, mais destrutivos tendem a ser seus efeitos na superfície. Fortes réplicas foram sentidas na mesma região, incluindo uma de magnitude 6,1. Mais tarde, um abalo de magnitude 6,4 foi registrado em Sumatra, no oeste do país, a 163 km de profundidade.
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Jornalistas da AFP viram moradores do norte da ilha de Flores se afastarem apressadamente da costa. Em algumas casas, partes inteiras das fachadas desabaram. Vídeos feitos no porto de Maumere mostraram grandes pedaços de concreto se desprendendo do edifício do terminal e caindo sobre passageiros. Algumas pessoas foram lançadas ao mar quando a passarela de acesso à embarcação desabou.
“De repente tudo começou a tremer e eu entrei em pânico”, disse à AFP Lukas Lotar, de 31 anos, funcionário de um hospital. “Os pacientes também fugiram, o abalo foi forte. Algumas paredes tinham rachado”.
Emanuel Melkiades Laka Lena, governador da província de Nusa Tenggara Oriental, afirmou em entrevista coletiva que as vítimas morreram durante o sono, atingidas por escombros de estruturas que desabaram. Arnold Welianto, morador de Talibura, vila próxima à costa em Sikka, Nusa Tenggara Oriental, relatou ter sido acordado pelo tremor.
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“Acordei assustado e fui imediatamente para o quarto do meu filho. Alguns outros moradores estavam parados à beira da estrada porque o mar também havia recuado. A água permaneceu baixa por bastante tempo, então todos entraram em pânico e correram”, disse ele à BBC, referindo-se ao fenômeno observado antes de um possível tsunami e acrescentando que muitas pessoas já haviam fugido.
Um alerta de tsunami foi emitido, mas suspenso cerca de três horas após o tremor inicial, quando não foi detectada elevação significativa do nível do mar. Uma fila de pessoas pôde ser vista seguindo para o interior em motocicletas depois que as autoridades emitiram o alerta. A BNPB informou que 2 mil pessoas se deslocaram por conta própria. A província de Manggarai está entre as áreas mais afetadas, segundo a agência.
De acordo com a BNPB, 24 mortes foram registradas em Manggarai, 17 em Manggarai Oriental, três em Sikka e pelo menos uma nas províncias de Ngada, Ende e Manggarai Ocidental. Ao todo, pelo menos 50 pessoas ficaram feridas. A dimensão total dos danos ainda está sendo avaliada, e imagens de televisão mostram socorristas procurando sobreviventes entre os escombros.
“O tremor foi forte. Por sorte, nós já estávamos do lado de fora”, contou à AFP Yohanes Babo, de 56 anos, que estava no mercado quando a terra começou a tremer. “As pessoas entraram em pânico, corriam em todas as direções. Por enquanto, estamos tentando chegar às áreas mais altas. Minha família está sã e salva. Ninguém ficou ferido”.
Ainda à BBC, Welianto disse que muitos moradores de Talibura preferiam permanecer ao ar livre porque as réplicas faziam com que temessem voltar para casa. Yulian Juita Ekalia, professora universitária de Ruteng, cidade a oeste do epicentro, relatou ter levado o fogão para fora e estar cozinhando ali por medo de novos tremores.
“Nunca senti um terremoto tão grande”, disse ela à AFP. “Parecia que estávamos em um trampolim, foi realmente assustador”.
Relatórios preliminares indicaram que mais de 150 casas foram gravemente danificadas, além de dezenas de instituições de ensino e várias unidades de saúde, locais de culto, escritórios e outras instalações públicas. A BNPB informou que ajuda estava sendo enviada às áreas afetadas e aconselhou a população a permanecer calma e a se manter afastada das áreas costeiras e de estruturas danificadas.
A Indonésia e os países vizinhos sofrem terremotos frequentes devido à localização no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, região de intensa atividade sísmica que se estende do Japão pelo Sudeste Asiático e ao longo da bacia do Oceano Pacífico.
Com informações de O Globo.