Agentes federais entraram na residência da deputada Ilhan Omar (Partido Democrata, Minnesota), na região de Washington, na madrugada desta segunda-feira (12). Uma pessoa a par da investigação disse à Reuters que a operação trata de suposta fraude imigratória. Parte da apuração envolveria a documentação de imigração da parlamentar nascida na Somália, preenchida pelo pai, já falecido, quando ela ainda era criança.

Omar, de 44 anos, é crítica ferrenha de Donald Trump e alvo recorrente de insultos do presidente. Nas redes, afirmou que o governo dos EUA está sendo instrumentalizado para atingir uma inimiga política. “Há dez anos, Trump me persegue com mentiras infundadas e campanhas de difamação”, afirmou. “Esta é apenas a mais recente escalada em sua campanha de intimidação política. Não serei silenciada.” Ela busca o quinto mandato de dois anos nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro, em distrito considerado reduto democrata, e foi reeleita em 2024 com vantagem de 50 pontos. A operação ocorre pouco mais de três semanas antes do pleito, no qual o partido de Trump tenta manter o Congresso.
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Tom Homan, responsável pela política de fronteiras, disse à Fox Business Network que o Departamento de Justiça conduz a investigação com o Departamento de Segurança Interna e se recusou a dar detalhes. O secretário Markwayne Mullin, nomeado por Trump, havia dito no mês passado que “alguma coisa iria acontecer” na investigação sobre a entrada da família de Omar. “Se conseguirmos provar que você não deveria estar aqui desde o início, vamos deportá-la”, disse Mullin ao podcaster conservador Benny Johnson.
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Em comunicado conjunto, o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, e outros da liderança classificaram a operação como “profundamente perturbadora e levanta sérias questões sobre o uso do governo federal como arma contra os adversários de Trump”. Com Katherine Clark e Pete Aguilar, Jeffries afirmou que os republicanos têm “perseguido implacavelmente” Omar. “A máquina de deportações em massa de Trump chegou à residência de uma integrante do Congresso devidamente eleita e de sua família”, acrescentaram. Prometeram “garantir a plena responsabilização” pelo que chamaram de “abuso de poder arbitrário”. O governador de Minnesota, Tim Walz, escreveu: “Os americanos enxergam essa situação pelo que ela é”. “O presidente Trump está abusando de seu poder para perseguir adversários políticos semanas antes de uma eleição.”
As normas do Departamento de Justiça proíbem programar ações para influenciar eleições ou beneficiar candidatos. Historicamente, o órgão evita medidas investigativas contra candidatos nos cerca de 60 dias anteriores a um pleito. No segundo mandato, o departamento investigou e acusou adversários de Trump, entre eles o ex-diretor do FBI James Comey, a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, e John Bolton, ex-assessor de Segurança Nacional que se tornou crítico. Também investigou parlamentares democratas que pediram às Forças Armadas que não cumprissem ordens ilegais, o senador Adam Schiff e os integrantes do Federal Reserve Jerome Powell e Lisa Cook. O processo contra James e um dos dois contra Comey foram rejeitados por um juiz. Bolton se declarou culpado e deve receber a sentença ainda neste mês. Outras investigações foram travadas por decisões de juízes.
Omar classificou a atenção de Trump como “obsessão doentia e perturbadora”. O presidente retratou a comunidade somali-americana como ameaça a Minnesota em meio a declarações antissomalis e antimuçulmanas. Na semana passada, chamou Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan e muçulmano, de “extremista RADICAL” e “simpatizante de terroristas”, ao apoiar o republicano Mike Rogers. Defensores de direitos civis criticaram a retórica contra minorias e imigrantes, inclusive quando Trump chamou os somalis de “lixo”. Em fevereiro, disse que Omar e a deputada Rashida Tlaib, de Michigan, também muçulmana, deveriam ser “internadas em instituições psiquiátricas” e enviadas de volta para “o lugar de onde vieram”, depois de críticas no discurso do Estado da União. Omar afirmou que ela e a família receberam ameaças de morte, que atribui à “retórica política de ódio”, especialmente de Trump. No mês passado, Anthony James Kazmierczak, que esguichou vinagre em Omar, foi condenado a um ano e dois meses de prisão após se declarar culpado de agredir autoridade federal. Admitiu ter atacado a deputada por discordar de suas posições progressistas.
Com informações do portal g1.