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Cunhada de Toffoli nega ligação do marido com resort de luxo no Paraná
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Cássia Pires Toffoli, cunhada do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, negou categoricamente que seu marido, José Eugênio Dias Toffoli, tenha sido sócio ou dono do resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no interior do Paraná. A declaração foi dada em entrevista a repórteres do jornal O Estado de S. Paulo, que visitaram a residência do casal em Marília (SP).

Caso envolvendo o Banco Master segue sob relatoria do ministro Dias Toffoli no STF (Foto: Ascom/STF)

A casa de 130 metros quadrados, situada no bairro Jardim Universitário, aparece registrada como sede da empresa Maridt Participações — da qual os irmãos do ministro são sócios. De acordo com a reportagem, o imóvel apresenta sinais visíveis de deterioração, como pintura rachada e pisos quebrados. A propriedade foi adquirida por R$ 27 mil em 1998, financiada pela Caixa Econômica Federal, e hoje, atualizado pela inflação, é avaliado em R$ 276 mil.

Em vídeo gravado no local, Cássia afirmou desconhecer que o endereço funcione como sede da Maridt. “Essa casa é minha, financiei com o meu dinheiro, por 25 anos”, declarou. Questionada sobre eventual participação do marido — engenheiro eletricista — no resort, ela rebateu: “Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa! Se você entrar, vai ficar assustado”.

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A Maridt Participações chegou a deter um terço do resort de luxo. Em 2021, os irmãos de Toffoli venderam metade dessa participação para um fundo administrado pelo empresário Fabiano Zettel, pastor e cunhado do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Zettel foi preso pela Polícia Federal na semana passada. As últimas fatias da Maridt no Tayayá foram vendidas em fevereiro do ano passado, por R$ 2,8 milhões.

Cássia também reiterou não ter conhecimento de qualquer ligação do marido com o empreendimento. “Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa!”, enfatizou ao repórter.

Paralelamente, o caso envolvendo o Banco Master segue sob relatoria do ministro Dias Toffoli no STF, acumulando controvérsias. Toffoli assumiu a investigação em dezembro, após pedido da defesa de Vorcaro — preso em novembro e solto dez dias depois —, transferindo para o Supremo processos que tramitavam na Justiça Federal em Brasília e São Paulo, mesmo sem conexão inicial clara com autoridades com foro privilegiado.

Em novembro, o ministro viajou de jatinho para Lima, no Peru, para assistir à final da Libertadores, compartilhando a aeronave do empresário Luiz Oswaldo Pastore com o advogado Augusto Arruda Botelho, que representa um dos diretores do Master.

Após repercussão, Toffoli impôs sigilo absoluto ao inquérito, ocultando parte das informações do público, embora posteriormente tenha divulgado algumas decisões, como a determinação de acareação entre investigados no episódio envolvendo o Master e o BRB (Banco de Brasília).

O ministro agendou a acareação na véspera do Réveillon, durante o recesso judiciário, incluindo um diretor do Banco Central responsável por desvendar o esquema de fraudes. A medida gerou mal-estar entre servidores do BC, que recorreram pedindo esclarecimentos e suspensão da acareação. Toffoli negou inicialmente, afirmando que os servidores não eram investigados, mas depois dispensou o diretor do BC da acareação. Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, prestaram depoimentos e participaram do confronto.

Durante a audiência de Vorcaro no STF, em 30 de dezembro, houve embates entre a delegada da PF Janaína Palazzo e um juiz auxiliar do gabinete de Toffoli. O auxiliar informou que o ministro havia encaminhado uma lista de perguntas para a delegada fazer ao banqueiro, o que escalou a confusão na sessão.

Com informações do portal UOL.

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