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Toffoli nega pagamentos de Vorcaro, admite sociedade em resort e indica seguir como relator no caso do Banco Master
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O gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nesta quinta-feira (12) nova nota em que o magistrado explica sua sociedade na empresa Maridt, que vendeu participação no resort Tayayá a fundos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Toffoli é o relator do inquérito que investiga supostas fraudes financeiras no Banco Master (Foto: Carlos Moura/SCO/STF)

Toffoli é o relator do inquérito que investiga supostas fraudes financeiras no Banco Master, liquidado pelo Banco Central em 2025, incluindo a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB), cujo maior acionista é o governo do Distrito Federal.

Na nota, o gabinete afirma que o ministro é sócio há vários anos da Maridt, empresa familiar da qual também fazem parte irmãos e outros parentes. “Pela Lei Orgânica da Magistratura, o ministro pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador”, diz o texto.

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A participação da Maridt no resort Tayayá foi vendida em duas etapas: parte para o fundo Arleen, em 27 de setembro de 2021, e parte para a empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025. Segundo o gabinete, todas as transferências de recursos, feitas ao longo de diversos anos, foram lícitas e declaradas à Receita Federal, com origem e destino rastreáveis.

O ministro afirmou ainda que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro”. “Jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”, completou.

A explicação foi dada a interlocutores do STF após a Polícia Federal informar à Corte que passou a apurar transferências de recursos para o magistrado. Foi a primeira vez que Toffoli detalhou seu envolvimento com o resort e com a companhia dos irmãos.

O relatório da PF, entregue em 9 de fevereiro ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, traz mensagens trocadas entre Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel discutindo pagamentos para a Maridt. Zettel, casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, atuava como uma espécie de gerente do caixa do cunhado. As conversas citam o nome do ministro e combinam transferências relacionadas à compra do resort.

Fachin notificou Toffoli para que ele se manifeste sobre os fatos apontados no documento.

O ministro tem resistido a deixar a condução das apurações. Em 29 de janeiro, defendeu publicamente pela primeira vez sua atuação como relator do caso Master e disse que, ao final das investigações, decidirá se o caso irá ou não para a 1ª instância. “Encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias, sem a possibilidade de que se apontem nulidades em razão da não observância do foro por prerrogativa de função ou de violação da ampla defesa e do devido processo legal”, afirmou Toffoli naquela ocasião.

No comunicado, o ministro também afirmou que todos os pedidos para anular as investigações formulados pelos investigados foram rejeitados. Também disse que negou um pedido de acordo sugerido pela defesa de Daniel Vorcaro, dono do banco.

Na época da venda da participação da Maridt no Tayayá, em 2021, Vorcaro não frequentava as páginas policiais e era considerado um banqueiro em ascensão.

Toffoli apontou ainda que todos os pedidos feitos pela Polícia Federal contra Vorcaro foram deferidos por ele — entre outros, novas buscas e apreensões nas investigações que apuram irregularidades na condução do Master.

Fonte: Agência Brasil

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