A Justiça de São Paulo determinou a prisão, em regime aberto, do jornalista Luan Araújo. A decisão foi tomada após ele não quitar cerca de R$ 2,2 mil em multas e indenizações fixadas em condenação por difamação contra a ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP). O caso está relacionado a críticas feitas por Araújo antes de ser perseguido pela então parlamentar armada, em 2022.

O processo tramita no 1º Juizado Especial Cível de Campos dos Goytacazes. O juiz José Fernando Steinberg converteu a pena inicialmente restritiva de direitos em privação de liberdade. Mesmo após intimação, o pagamento não foi realizado. A defesa de Araújo alegou incapacidade financeira e pediu parcelamento da dívida, mas o pedido foi rejeitado.
O advogado José Luiz De Oliveira Júnior recorreu da decisão e impetrou habeas corpus. Ele argumentou que o cliente não foi intimado das condições da pena. “Ele não foi intimado das condições. Então, elas não existem. Ele precisa ser intimado, para se manifestar, o que não aconteceu”, disse o advogado.
Em postagem no Instagram, Araújo pediu apoio para processar Zambelli. Ele afirmou que perdeu oportunidades profissionais, relacionamentos e sanidade por causa do episódio. “Apesar da condenação dela no STF, ela não precisará cumprir pena lá na Europa, está solta. Enquanto isso, estou tendo que fazer uma vaquinha para conseguir entrar com um processo por danos morais contra ela”, escreveu.
O caso remete ao episódio de 2022, quando Carla Zambelli perseguiu Araújo armada nas ruas de São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais. A ex-deputada foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal.
Zambelli renunciou ao mandato em 14 de dezembro do ano passado. A Corte de Cassação de Roma negou sua extradição e determinou sua soltura no final de maio. Ela tem a cumprir dez anos de prisão por contratar um hacker para inserir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes no sistema da Justiça, e cinco anos e três meses de prisão por sacar uma arma e perseguir um homem na rua em São Paulo.
Araújo foi condenado por ter publicado um texto com críticas à ex-parlamentar, no qual disse que ela “segue uma seita de doentes de extrema direita” e “segue cometendo atrocidades atrás de atrocidades”.
Com informações do portal UOL.