Pelo terceiro ano consecutivo, o comando do Congresso Nacional não participará integralmente das cerimônias oficiais em memória aos ataques de 8 de janeiro de 2023. Para o ato marcado para esta quinta-feira (8), no Palácio do Planalto, as ausências confirmadas são as do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Diferentemente do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF), o Legislativo optou por não programar nenhuma cerimônia própria para marcar a data em 2026.

O distanciamento ocorre em um momento de tensão política, marcado pela expectativa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vete o projeto de lei, aprovado pelo Congresso, que concede anistia ou reduz as penas de participantes das tentativas golpistas. Embora parlamentares governistas neguem que o veto ocorreria durante a solenidade, a relação entre os poderes segue sob escrutínio. O líder do PDT, Mário Heringer (PDT-MG), avaliou que o veto em meio ao evento seria improvável. “Vetará, provavelmente, mas fazer isso nessa solenidade é desnecessário. Fica parecendo disputa com o Congresso”, disse Mário Heringer.
Para o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), a postura de Motta e Alcolumbre reflete uma estratégia de sobrevivência política, já que ambos foram eleitos com o apoio de blocos alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “Hugo e Alcolumbre querem se reeleger e jogam dos dois lados. A política não conseguiu criar um movimento amplo de rechaço à tentativa de golpe”, afirmou Lindbergh. Ele acrescentou que, após dois anos, “não existe um movimento político consistente contra a tentativa de golpe” e que sempre houve uma “tentativa de aliviar o que aconteceu”.
Historicamente, a participação do Congresso nos atos tem sido minguante. Em 2024, o então presidente da Câmara, Arthur Lira, faltou alegando problemas de saúde familiar. Em 2025, tanto Lira quanto o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, estiveram ausentes. O esvaziamento da frente política ampla contra o 8 de janeiro é visto por governistas como um sinal de que o consenso democrático imediato aos ataques não se consolidou institucionalmente no Legislativo.
A ausência das lideranças contrasta com o fato de o Congresso ter sido o primeiro alvo dos ataques em 2023. Na Câmara dos Deputados, a invasão resultou na destruição de mais de 400 computadores, além de móveis e televisores. O prejuízo artístico também foi severo: um levantamento da Polícia Federal e da UFMG identificou 186 peças de arte danificadas no complexo dos Três Poderes. Somando os danos ao Congresso, STF e Planalto, o valor das obras afetadas atinge R$ 20 milhões, com prejuízo material estimado em R$ 12 milhões.
Com informações de portal g1.