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PF investiga tentativas do Careca do INSS de fechar contratos milionários com o Ministério da Saúde
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A Polícia Federal analisa mensagens de WhatsApp que revelam as tentativas, sem sucesso, de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, de emplacar contratos milionários com o Ministério da Saúde. Apontado como um dos principais operadores de fraudes em aposentadorias, o lobista mirava a venda de medicamentos à base de cannabis, testes rápidos de dengue e produtos de nutrição infantil. De acordo com as investigações, existe a suspeita de que ele tenha utilizado dinheiro desviado do INSS para estruturar empresas próprias e pagar propinas na tentativa de expandir seus negócios para a área da saúde.

O careca do INSS foi ouvido na CPI (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Em dezembro, ao autorizar a fase mais recente da Operação Sem Desconto, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, afirmou que o Ministério da Saúde era a “nova possível área de atuação da organização criminosa”. O magistrado também determinou que a Anvisa apurasse administrativamente “eventuais irregularidades praticadas por servidores públicos”. A atuação do grupo consistia na elaboração de minutas de Termos de Referência (TR) para entregar à pasta, sugerindo compras por dispensa de licitação que beneficiariam diretamente as empresas ligadas ao lobista.

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No caso dos produtos de cannabis, mensagens de dezembro de 2024 mostram a equipe do Careca compartilhando um documento para a compra de 1,2 milhão de frascos de canabidiol, um negócio que poderia movimentar valores significativos, dado que o preço de mercado de cada frasco varia entre R$ 400 e R$ 900. No entanto, o Ministério da Saúde informou em nota que “não compra nem fornece canabidiol. O produto sequer está incorporado ao SUS. Nenhuma compra foi realizada e não existe qualquer processo em curso para sua inclusão ou oferta pelo SUS”.

Em janeiro de 2025, o foco do grupo passou a ser a venda de testes de dengue, aproveitando a alta da doença no país. Registros indicam que uma funcionária de Antunes, ao ver uma notícia sobre a epidemia, comentou que o “terreno sendo preparado”. O Careca chegou a ser recebido presencialmente por Swedenberger Barbosa, o Berger, então secretário-executivo da pasta, relatando aos funcionários que o gestor teria indicado uma estratégia com a Secretaria de Vigilância em Saúde. Apesar de o ministério ter publicado uma nota técnica recomendando testes da marca Alltest, a mesma sugerida pelo lobista, a pasta esclareceu que a compra foi feita de uma empresa sem ligações com Antunes, vencedora de uma licitação aberta ainda em 2024.

O lobista também tentou atuar no fornecimento de produtos de nutrição infantil por meio de uma parceria com uma empresa goiana e a Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego). O plano envolvia o Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL), mas a proposta foi reprovada pelos órgãos técnicos do ministério em agosto de 2025. Sobre os encontros, a assessoria do Planalto, onde Berger atua hoje, afirmou que ele “recebeu representantes da empresa World Cann para visita institucional devidamente registrada em sua agenda pública”, ressaltando que a falta de desdobramentos “afasta a tese de qualquer tipo de influência política”. A empresa DAUS, parceira no projeto de nutrição, afirmou que desconhecia as suspeitas contra o lobista e que o acordo não gerou pagamentos, pois o projeto não prosperou.

Com informações de portal g1.

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