Partidos de oposição no Distrito Federal protocolaram, nesta sexta-feira (23), pedidos de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha (MDB). As representações foram apresentadas pelo PSB-DF, Cidadania-DF e PSOL, que acusam o chefe do Executivo de crime de responsabilidade em razão de sua suposta atuação em negociações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, de propriedade do banqueiro Daniel Vorcaro.

As legendas apontam “atuação temerária” do governo local, com risco ao erário público e violação aos princípios da administração. Entre os elementos citados estão a aquisição de títulos de baixa qualidade e origem irregular, a geração de dívidas fora do orçamento, negociações sem transparência com o banqueiro e possível influência indevida do governador em decisões internas do BRB.
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Ibaneis Rocha negou qualquer irregularidade e afirmou que nunca tratou diretamente da operação BRB–Master com Daniel Vorcaro. Em declarações à imprensa nesta sexta-feira (23), o governador confirmou encontros sociais com o banqueiro, incluindo um almoço na residência de Vorcaro “organizado por um amigo em comum”, mas garantiu que não discutiu assuntos relacionados às instituições financeiras.
“Em momento algum nas quatro vezes que o encontrei tratei de assuntos relacionados ao BRB–Master. Entrei mudo e saí calado. O único erro meu foi ter confiado demais no Paulo Henrique [Costa]”, disse Ibaneis Rocha. Ele atribuiu a condução das negociações exclusivamente ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, demitido após operações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público.
As investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal apontam que o Banco Master teria vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes, numa tentativa de evitar a quebra da instituição privada, que enfrentava grave crise de liquidez. O caso culminou na liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central em novembro. O rombo estimado no BRB atinge R$ 4 bilhões, e, segundo reportagens da Folha de S.Paulo e do Valor Econômico, o Banco Central determinou provisionamento de pelo menos R$ 2,6 bilhões para cobrir prejuízos — informação ainda não confirmada oficialmente pelo BC.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Vorcaro afirmou à Polícia Federal ter conversado “algumas vezes” com Ibaneis sobre as negociações. O depoimento do banqueiro foi prestado em 30 de dezembro, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, e teve trechos revelados pela publicação.
Ao longo de 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master, transferências que estão sob escrutínio por suspeita de gestão fraudulenta. As apurações indicam que o banco público tentou adquirir fatia relevante da instituição privada, com apoio do governo do Distrito Federal — acionista controlador —, iniciativa barrada pelo Banco Central. A PF investiga ainda a compra de carteiras de alto risco, avaliando falhas nos processos de análise, aprovação e governança.
Em novembro, operação conjunta da PF e do Ministério Público afastou Paulo Henrique Costa do cargo de presidente do BRB, posteriormente demitido. Ex-executivos das duas instituições foram intimados a prestar depoimento no fim de janeiro e início de fevereiro. Além das investigações federais e do Banco Central, a nova gestão do BRB e uma auditoria independente analisam as transações, sem conclusões oficiais divulgadas até o momento.
Os pedidos de impeachment protocolados pela oposição aguardam análise na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Fonte: Agência Brasil