O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, apagou publicações antigas das redes sociais em que insultava o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, após anunciar sua filiação ao partido na última terça-feira. Em post de 2015, quando era senador pelo DEM, Caiado escreveu: “Kassab é o cafetão do Planalto. Agiu assim com o PSD [em 2011] e agora com o PL”. Na mesma publicação, ele qualificou o político paulista como “um homem sem posição, de caráter líquido, que se molda ao formato do poder” e disse que Kassab adotava uma “postura de cafetão” ao tratar deputados como “garotas de programas” para viabilizar novos partidos. “É tanto constrangimento que os paulistas não votam em Kassab”, acrescentou. Em outra mensagem, completou: “Em toda a minha vida sempre vi os traíras caírem! Pode demorar, mas a justiça do povo é a melhor resposta, Kassab!”.

A saída do União Brasil e a entrada no PSD ocorreram porque “ficou impossível acreditar que minha candidatura poderia acontecer no União Brasil”, conforme declarou Caiado. A mudança visa viabilizar sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026. Em nota, o governador afirmou que “os desentendimentos do passado não são mais do que nota de rodapé na extensa trajetória política” de ambos e que “o que buscamos agora é algo ainda maior: apresentar ao país um projeto verdadeiro de mudança, que possa devolver o Brasil aos brasileiros de bem”.
A disputa pela cabeça de chapa do PSD está acirrada, com Caiado concorrendo com os governadores Eduardo Leite (RS) e Ratinho Jr. (PR). Conversas entre Kassab e Caiado começaram no Natal, com a proposta de formar um pacto de amizade e não-agressão entre os três pré-candidatos. O trio afirma que trabalhará pela eleição da chapa formada pelo partido, independentemente da composição final.

A escolha do candidato do PSD à Presidência deve ocorrer até 4 de abril, prazo final para desincompatibilização. Caiado informou que um conselho de notáveis, formado por nomes como Kassab, Jorge Bornhausen, Heráclito Forte, Andrea Matarazzo, Afif Domingos e outros, definirá qual dos três governadores encabeçará a chapa.
O PSD busca uma candidatura de direita para combater a polarização entre PT e PL. Enquanto o PL, partido do senador Flávio Bolsonaro, defende a união da direita para derrotar o presidente Lula, o PT avalia que a movimentação dos governadores sinaliza fragmentação da direita e falta de confiança na candidatura de Flávio.
Com informações do portal UOL.