O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), concluiu nesta quarta-feira (4) uma agenda oficial de dois dias em Washington (DC), Estados Unidos, com sinalizações positivas para parcerias em exploração de terras raras, desenvolvimento de projetos com inteligência artificial (IA) e implantação de data centers. O líder do Executivo goiano apresentou o potencial do estado a integrantes do governo americano e a importantes players do setor tecnológico.

“Tivemos a felicidade e a oportunidade de mostrarmos o potencial de minérios em nosso território. Goiás, hoje, é uma ilha de segurança no Brasil, que vem se industrializando e, cada vez mais, avança na transformação de seus produtos, ampliando as suas áreas de serviço”, avaliou o governador.
O secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, fez um retrospecto das agendas. “A gente pôde tratar de forma mais ampla as parcerias entre Goiás e Estados Unidos. Eles manifestaram total apoio à cooperação. Terminamos a discussão do nosso acordo mais abrangente, que está pronto para ser assinado. Devemos só agendar a data agora de assinatura”, afirmou. Os norte-americanos também se mostraram dispostos a investir na linha de exploração da cadeia produtiva dos metais críticos. “Para avançarmos nas pesquisas de separação e depois de desenvolvimento da indústria dos imãs”, comentou Adriano.
A implantação de data centers ganhou destaque nas tratativas. “Eles vão olhar para Goiás agora também como ponto de destinação, uma vez que nós temos também o Marco Civil da Inteligência Artificial, sancionado ano passado. Estamos uns bons passos à frente e isso está chamando a atenção para Goiás. Enquanto essa discussão no Congresso Federal está patinando já há um tempo, com uma lei antiquada, que copiou a legislação europeia e que a própria Europa já está mudando”, afirmou o secretário.
Outro diferencial destacado foi o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia) da Universidade Federal de Goiás (UFG). “Hoje, aplicativos desenvolvidos por esse centro já são utilizados em diversos outros, como iFood, na área de saúde, seguros, usados por cerca de 150 milhões de brasileiros. É o único que tem as GPUs mais avançadas da Nvidia instaladas. Isso dá uma ideia da abrangência, é um centro de muita relevância”, avaliou Adriano, referindo-se aos processadores de informática capazes de executar muitas tarefas ao mesmo tempo.
A convite da Casa Branca, Caiado participou de reuniões sobre minerais críticos na terça e quarta-feira (3 e 4). Ele esteve no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), referência do governo norte-americano para análises de política internacional, segurança e estratégia global. Também foi recebido na Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (DFC), onde apresentou o potencial do estado a autoridades governamentais e representantes do setor privado, incluindo o Diretor Executivo de Política de Energia e Minerais Críticos da instituição, Thomas Haslett.
Durante o encontro, Haslett destacou as oportunidades para a DFC no setor de minerais críticos do Brasil, incluindo em Goiás, bem como a importância de uma visão de longo prazo e do investimento em toda a cadeia de valor. O CEO da Aclara Resources, Ramón Gino Barúa Costa, também participou e apresentou os avanços da empresa em Goiás, que desenvolve o Projeto Carina em Nova Roma, com investimento de cerca de R$ 2,8 bilhões para extrair terras raras pesadas. A multinacional iniciou a operação em planta piloto, em Aparecida de Goiânia.
Na quarta-feira, Caiado foi recebido pelo vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau, apontado como o número 2 da diplomacia dos EUA. Em reunião a portas fechadas, o governador e Landau avançaram na discussão de parcerias estratégicas propostas pelo governo norte-americano em relação a minerais críticos. Goiás se coloca no centro do debate global, sendo uma das principais localidades do Hemisfério Sul com ocorrência de terras raras. Atualmente, a única mina privada do segmento em atividade comercial no Brasil está em Minaçu, no Norte do estado.
Caiado ainda teve compromissos na Câmara de Comércio dos Estados Unidos (U.S. Chamber of Commerce), maior organização de lobby empresarial do mundo. Além da exploração de minerais críticos, o governador tratou de tarifação de produtos da economia goiana, atração de investimentos para o estado e cenário político brasileiro. As reuniões ocorreram na sede da organização e abordaram temas como tarifas sobre o mineral vermiculita e o açúcar orgânico, barreiras que incidem sobre empresas em Goiás.
O governador abriu diálogo visando a aquisição de um aparelho de radioterapia por prótons para o Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora), em Goiânia. O único existente no mundo foi produzido e está na Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, Maryland, próxima a Washington.
Fonte: Governo de Goiás