A prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por fraude financeira e suborno de servidores do Banco Central (BC), veio após a Polícia Federal (PF) acessar seu celular. As informações expõem um império de corrupção, espionagem e violência, comprometendo políticos e autoridades nas três esferas de poder.

Na terça-feira 3 de março de 2026, advogados de Daniel Vorcaro foram à sede da PF em Brasília e receberam um disco rígido com terabytes de dados de seus telefones. Eles lacraram o equipamento em envelope com tabelião para evitar vazamentos, mas o objetivo era mostrar que Vorcaro guarda mensagens, documentos e imagens que poderiam provocar um terremoto político, ajudando a reverter a liquidação do Master.
Na quarta-feira 4, Vorcaro foi preso em São Paulo por suborno a Paulo Sérgio Neves (ex-diretor de Fiscalização do BC) e Belline Santana (chefe de departamento), desvio de 2 bilhões de reais para a conta do pai, espionagem, coação e violência. Ele cooptava agentes públicos, pagava propinas por informações sigilosas, mantinha policiais, servidores e jornalistas em sua folha de pagamento, e usava métodos violentos, sugerindo atentados. Presos com ele: Fabiano Zettel (cunhado e braço direito), Marilson Roseno (policial aposentado para vigilância) e Luiz Phillipi Mourão (“Sicário”, que acessava dados da PF, Ministério Público, FBI e Interpol, e espancava jornalistas sob ordens).
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A PF descreveu o grupo como “profissionais do crime” que captam servidores para enfraquecer o Estado via violência e coação. “Sicário” foi encontrado agonizando na cela da PF em Minas Gerais, supostamente enforcado com a camisa, e permanecia internado com protocolo de morte cerebral aberto na quinta-feira 5.
Os telefones de Vorcaro contêm agendamentos, comentários íntimos sobre festas e menções a deputados, senadores, ministros e juízes. Em novembro, busca na casa de Vorcaro em Brasília encontrou envelope com “Congresso”, transferindo o inquérito ao Supremo Tribunal Federal (STF). Relator inicial, Dias Toffoli decretou sigilo e foi afastado por negócios do grupo Master; André Mendonça assumiu, visando celeridade e discrição.
Vorcaro buscava mudar o Master de liquidado para liquidação ordinária, vendendo ativos para cobrir prejuízos, ressarcir investidores e livrar bancos rivais de um concorrente. Consultou governo, instituições e oposição, incluindo Davi Alcolumbre (cujo irmão investiu 400 milhões no Amprev no Master). Políticos como Ciro Nogueira (emenda ao FGC) e Rui Costa (ligado a ex-sócio preso de Vorcaro) acompanham o caso com preocupação.
Advogados devolveram o HD à PF após intimação, dificultando acesso público a mensagens ou imagens de autoridades. Mendonça compartilhará conteúdo relevante, mas excluirá festas privadas com autoridades, que poderiam destruir carreiras se públicas.
Com informações da Revista Veja.