Márcio Aurélio Cruz (PSD), prefeito de Jacaraú, na Paraíba, foi alvo de mandado de busca e apreensão cumprido nesta quinta-feira (12) pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba (MPPB), no âmbito da investigação sobre o assassinato do vereador Peron Filho, ocorrido em setembro de 2025.

A operação contou com apoio da Polícia Civil. De acordo com informações da polícia, Márcio Aurélio passou a ser investigado em dezembro do ano passado após denúncia anônima que relatou encontro dele com ex-secretários municipais suspeitos de envolvimento no crime. Dois ex-secretários da administração já estão presos por suspeita de participação no assassinato.
Márcio Aurélio Cruz tem 42 anos, é natural de João Pessoa e assumiu a prefeitura de Jacaraú em 2025, após vencer as eleições municipais de 2024. Antes, exerceu o cargo de vice-prefeito na gestão de Elias Costa, eleita em 2020. Na campanha para prefeito, declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) bens avaliados em R$ 250 mil, entre eles 60 cabeças de gado, e recebeu cerca de R$ 152.594,00 em recursos líquidos para a campanha.
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O advogado de defesa de Márcio Aurélio, Alberdan Coelho, informou que o prefeito nega qualquer envolvimento no caso e que “sempre se colocou à disposição para prestar esclarecimentos, bem como tem ciência de que existem confissões e provas que isentam a participação ou autoria do chefe do executivo”.
Peron Filho foi assassinado em 15 de setembro de 2025, na estrada que liga Jacaraú a Pedro Régis. Ele voltava de uma partida de futebol em um distrito do município quando foi atingido por três disparos nas costas e morreu no local. A Polícia Civil descartou latrocínio e apontou que o crime pode ter motivação política.
O vereador, filiado ao MDB, foi reeleito em 2024 com 702 votos, o terceiro mais votado. Denunciou desvio de recursos públicos, má conservação da frota de transporte e desvio de combustível. Meses antes da morte, gravou vídeo de uma ambulância em péssimas condições e publicou nas redes sociais, o que gerou repercussão na cidade. “Denunciou desvio de combustível, má utilização e má conservação da frota de transporte, e também desvio público”, informou o delegado Sylvio Rabello à época.
O pai de Peron Filho relatou que, cerca de 20 dias antes do crime, os dois ex-secretários presos foram à sua casa à meia-noite para propor que o vereador deixasse a oposição. “Vinte dias antes desse evento, os dois secretários estiveram na minha casa aqui às 11 horas da noite para conversar com o meu filho para, ele passar para o lado do governo e ele disse que não faria isso. Eles ofereceram vantagem e ele disse que não aceitaria”.
O corpo do vereador foi velado em ginásio da cidade e enterrado na manhã de 17 de setembro, em cortejo que atraiu multidão de familiares, amigos, eleitores e moradores. Peron Filho era divorciado, completaria 37 anos no dia 19 de setembro e não teve filhos. Era um dos fundadores da ONG Zona dos Pets, dedicada ao cuidado e adoção de animais abandonados.
Entre os presos estão o ex-secretário de Transportes e Mobilidade Jeferson Carvalho da Silva, que confessou participação no crime e foi denunciado por homicídio qualificado, e o ex-secretário de Administração Antônio Fernandes, que responde ao processo em liberdade. Reginaldo Lindolfo da Costa, dono de uma pousada onde ocorreu o encontro do prefeito com os secretários, também chegou a ser preso, mas atualmente está solto.
Outros dois homens suspeitos de terem sido contratados para executar o vereador também foram presos no âmbito da investigação. O corpo de Peron Filho foi enterrado em Jacaraú na manhã do dia 17 de setembro. O velório, que aconteceu em um ginásio da cidade e atraiu uma multidão, incluindo familiares, amigos, eleitores e outros moradores da cidade. Em seguida, aconteceu o cortejo até o cemitério da cidade onde o vereador foi enterrado.
Com informações do portal g1.