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Alcolumbre é surpreendido com envio formal da indicação de Jorge Messias ao STF por Lula
Termômetro da Política
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), foi pego de surpresa pelo envio, nesta terça-feira (31), da mensagem formal do presidente Lula (PT) indicando o advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

"Não aceitarei intimidações nem tentativas de constrangimento à Presidência do Senado", disse Alcolumbre
Há cerca de um mês, Alcolumbre (acima) teria dito a um senador que Messias tinha maioria apertada, de apenas três votos (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

De acordo com interlocutores, Alcolumbre e Lula não conversaram diretamente sobre o envio da indicação antes de a informação se tornar pública. Até o fim da tarde desta terça-feira, o Senado ainda não havia recebido oficialmente o documento.

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), afirmou que ainda não há data definida para a sabatina de Messias no colegiado e que não conversou com Alcolumbre sobre o assunto.

Com a proximidade do feriado de Páscoa e o fim da janela partidária, o Senado está com agenda esvaziada, realizando sessões de forma semipresencial. Messias já manifestou a senadores o desejo de conversar pessoalmente com Alcolumbre. O recado foi transmitido, mas o presidente do Senado desconversou, indicando que esperaria mais um pouco para tratar do tema.

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Aliados de Messias avaliam que a situação dele hoje é melhor do que em novembro do ano passado, quando o nome foi anunciado sem prévio aviso a Alcolumbre, gerando forte resistência. Na ocasião, o presidente do Senado defendia a indicação de seu aliado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga.

Nos bastidores, o cálculo é de que Messias contaria hoje com cerca de 56 votos favoráveis entre os 81 senadores. No entanto, interlocutores de Alcolumbre afirmam que a resistência ao nome cresceu com o avanço das investigações do esquema do Banco Master, que envolveu dirigentes do centrão.

Há cerca de um mês, Alcolumbre teria dito a um senador que Messias tinha maioria apertada, de apenas três votos.

Uma vez recebida a indicação formal, Messias precisará passar por sabatina na CCJ e obter a maioria absoluta no plenário do Senado — ao menos 41 votos em votação secreta.

A escolha de Messias tensionou a relação entre Alcolumbre e Lula. O envio oficial da mensagem demorou mais de quatro meses desde o anúncio inicial do presidente. Lula segurou o documento para tentar amenizar a insatisfação de Alcolumbre e articular apoios.

Desde o fim do ano passado, os dois voltaram a conversar, mas as divergências ainda não foram totalmente superadas. Aliados aguardam um encontro presencial e um possível jantar de Lula com senadores, semelhante ao que ocorreu com deputados.

Em novembro, Alcolumbre chegou a marcar data para a sabatina, mas precisou cancelá-la porque o governo não havia enviado a documentação necessária — estratégia usada para ganhar tempo e evitar uma derrota rápida do nome.

A demora no envio foi vista como forma de impedir que Alcolumbre atuasse contra Messias e de permitir maior negociação em torno da indicação.

Lula tratou do tema com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e com Otto Alencar em um almoço no dia 18 de março. Segundo relatos, Otto Alencar disse ao presidente que Messias tem boas chances de aprovação.

Ministros do Supremo também têm atuado em favor de Messias nos últimos meses, incluindo André Mendonça e Kassio Nunes (indicados por Jair Bolsonaro), além de Gilmar Mendes e Cristiano Zanin.


Com informações da Folha de S.Paulo.

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