Na tarde de 17 de novembro de 2025, o funcionário que cuidava da casa de Daniel Vorcaro no Lago Sul, em Brasília, avisou o banqueiro: “À noite irei receber Hugo na casa”. Vorcaro estava em São Paulo e respondeu: “Ok. Me avise sempre antes”. O empregado se desculpou: “na correria aqui acabei não avisando o Sr”.

Naquela mesma noite, o ex-dono do Banco Master foi preso no aeroporto de Guarulhos. A visita marcada era a última registrada nas mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro. O imóvel no bairro nobre da capital servia para o banqueiro receber políticos e autoridades. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), usava a casa quando Vorcaro não estava em Brasília. Procurado, Motta disse que não iria se manifestar.
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O combinado aparece em conversas de maio de 2025, três meses depois de o deputado assumir a presidência da Casa. Vorcaro mandou a Motta o contato do responsável pelo imóvel: “Só avisa ele se prefere uma pessoa pra servir ou se não quer ninguém na casa na hora”. O parlamentar respondeu: “Muito obrigado”.
Duas semanas depois, Motta pediu o espaço: “Será que posso dar uma passada na casa hj pela hora do almoço? Mas só se vc não tiver compromisso lá”. O banqueiro tinha almoço e seguiria ao aeroporto. “Depois disso já vou pro aero e tá liberada!” Motta combinaria a chegada com o funcionário para saber quando Vorcaro saísse.
A partir daí, o empregado passou a avisar quando iria “receber Hugo”. Os registros são de 24 de junho, 28 de agosto, 5, 18 e 25 de setembro e 17 de novembro de 2025:
Em 24 de junho, Vorcaro organizava um voo no exterior, segundo mensagens com o responsável pelos jatos. O aviso daquele dia era para receber “convidado Hugo” à noite. As conversas não explicam o que ocorreu na casa, o motivo das visitas nem quem mais estava presente.
O uso de imóveis de Vorcaro antecede a presidência da Câmara. Em outubro de 2024, Motta chegou antes do banqueiro ao apartamento dele em São Paulo e perguntou: “Posso chamar o Arthur aqui para tratar um assunto com ele?” — referência a Arthur Lira (PP-AL), então presidente da Casa. Vorcaro respondeu: “Claro. Casa é sua”. Motta disse: “Ele tá vindo aqui”.
Nas mensagens, os dois se tratavam por “irmão”. Em fevereiro de 2025, Vorcaro disse a um diretor do Master que era o “number 1” do deputado. Em maio de 2025, o banqueiro relatou à namorada que Motta havia passado horas na casa, em reunião que foi até quase 3h da manhã — nessa ocasião, Vorcaro também estava presente.
A PF analisa ainda um empréstimo de R$ 22 milhões do Master a uma empresa da cunhada de Motta, pedido diretamente pelo deputado ao banqueiro em 2024, como revelou o Estadão. Motta nega irregularidades.
Com informações do portal UOL.