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PF aponta que Bolsonaro tinha “pleno conhecimento” de plano que previa matar Lula, Alckmin e Moraes
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A Polícia Federal concluiu, em relatório divulgado em novembro de 2024, que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tinha “pleno conhecimento” do planejamento operacional denominado “Punhal Verde e Amarelo”. O documento, elaborado pelo general da reserva Mário Fernandes — então secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência —, previa o assassinato do então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, como parte de ações para impedir a posse da chapa vencedora das eleições de 2022.

Flávio Bolsonaro e seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, quando gozava de liberdade
Flávio Bolsonaro e seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, quando gozava de liberdade (Foto: Reprodução/X)

Segundo a PF, a execução de Lula e Alckmin serviria para “extinguir” a chapa eleita. Para Lula, chamado de “Jeca” no planejamento, o documento considerava a possibilidade de envenenamento ou uso de químicos para provocar colapso orgânico, levando em conta a vulnerabilidade de saúde e as idas frequentes a hospitais. Para Moraes, havia cogitação de ações armadas. A data definida para os assassinatos era 15 de dezembro de 2022, dias após a diplomação e antes da posse.

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O plano foi impresso por Mário Fernandes no Palácio do Planalto em ao menos duas ocasiões: em 9 de novembro de 2022 e em 6 de dezembro. Em ambas, registros de entrada e saída, localização de celulares e diálogos indicavam a presença de Bolsonaro ou de integrantes de seu núcleo próximo, como o então ajudante de ordens Mauro Cid. Em 9 de novembro, Fernandes imprimiu o documento e, cerca de 40 minutos depois, esteve no Palácio da Alvorada, onde Bolsonaro e Cid se encontravam. Em 6 de dezembro, nova impressão ocorreu com Bolsonaro no Planalto. A PF também apontou que o plano foi apresentado e aprovado na casa do general Braga Netto, então candidato a vice na chapa de Bolsonaro.

Em relatório final, a PF afirmou que evidências como registros de visitantes no Alvorada, conteúdo de diálogos, análise de ERBs e datas de reuniões indicam que Bolsonaro tinha pleno conhecimento do “Punhal Verde e Amarelo” e das ações clandestinas do grupo “Copa 2022”, ligado a militares de forças especiais. O texto concluiu que o ex-presidente planejou, dirigiu e executou atos para abolir o Estado Democrático de Direito e permanecer no cargo.

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Em fevereiro de 2025, a Procuradoria-Geral da República (PGR), na denúncia apresentada ao STF, afirmou que o plano foi arquitetado e levado ao conhecimento de Bolsonaro, “que a ele anuiu”. A PGR citou mensagens e um áudio de Fernandes a Cid em que o general relata conversa com Bolsonaro sobre o momento de agir. Bolsonaro negou ter tido acesso ao plano de execução. “Esquece, jamais. Dentro das quatro linhas não tem pena de morte”, afirmou em novembro de 2024.

Em julho de 2025, Mário Fernandes admitiu em depoimento no STF ser o autor do documento, mas afirmou que se tratava de “pensamentos digitalizados”, um estudo de situação e análise de riscos que não teria sido compartilhado. Ele é réu no núcleo da trama golpista. A Operação Contragolpe, deflagrada em novembro de 2024, prendeu militares e um policial federal envolvidos no planejamento.

As investigações integram o inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Bolsonaro e outros investigados negam as acusações. O caso permanece em tramitação no STF.

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