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Indicação de pastor que incentiva castigos físicos ao comando do MEC causa indignação entre educadores

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Milton Ribeiro é o quarto ministro da Educação em um ano e meio do governo Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução/Twitter/Milton Ribeiro)

A indicação do pastor Milton Ribeiro para o Ministério da Educação (MEC) causou revolta e indignação entre educadores. Mal foi alçado ao cargo, seus podres viera à tona. O novo ministro defende castigos físicos para educar crianças. O vídeo onde o novo indicado do presidente Jair Bolsonaro faz referência ao uso da violência viralizou nas redes sociais ainda na sexta-feira (10), quando seu nome foi anunciado.

Em busca de um substituto para o cargo após a conturbada gestão de Abraham Weintraub, e com o desastre que foi a tentativa de emplacar Carlos Decotelli com suas diversas ‘inconsistências’ curriculares, o governo optou por mais um líder evangélico para compor o primeiro escalão dos auxiliares do presidente Jair Bolsonaro. Ribeiro é o quarto ministro da Educação em um ano e meio.

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A psicanalista Elisama Santos, autora de “Educação não violenta”, publicou um longo manifesto em seu perfil no Instagram contra a indicação de Milton Ribeiro para o MEC.

Confira a íntegra do texto:

Nas primeiras horas do dia vi a notícia que temos um novo ministro da educação. Um homem que orienta pais e mães a usarem o castigo físico, garantindo que a criança sinta DOR. Assim que vi, me recordei desse frase da maravilhosa Bell Hooks, trecho do “Erguer a voz”, que estou concluindo a leitura. E gravei stories falando – e chorando- sobre isso.

Não se enganem, a defesa fervorosa dos grupos de poder para que as crianças sejam educadas por meios coercitivos, que se calem e obedeçam cegamente é um projeto de manutenção do mundo como está. Para que sigam exercendo seus podres poderes, se faz necessária a criação de pessoas que não criticam, que não questionam, que se sentem incapazes de influenciar positivamente os rumos do mundo. É necessário que quebrem os espíritos das crianças, que sua autoestima cresça fragilizada. É necessário treinar para a defesa cega de quem governa.

Educar mostrando à criança que ela tem voz, que seu querer – mesmo que não seja atendido – importa é revolucionário. É curativo, porque a medida que escutamos a voz das nossas crianças, recuperamos a nossa. Descobrimos a nossa potência escondida abaixo de camadas e camadas de “você não tem querer!”, “Cale a boca!” e “Não me responda!”. Descobrimos a importância do que sentimos, a força das nossas almas.

Eles querem que eduquemos agentes de manutenção do mundo como está. Nós educaremos agentes de transformação.

Seguiremos lutando por uma infância livre de violência.🖤