Jornalista, fotógrafo e consultor. Escreve desde poemas de amor a ensaios sobre política. É editor no Termômetro da Política e autor de Emagreça bebendo cerveja. Twitter: @gesteira.
Jornalista, fotógrafo e consultor. Escreve desde poemas de amor a ensaios sobre política. É editor no Termômetro da Política e autor de Emagreça bebendo cerveja. Twitter: @gesteira.
Triste fim de Carlos Alberto Decotelli da Silva
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~Em seu currículo Lates ainda consta o cargo de ministro (Reprodução/CNPq)

Foi sem dúvida um triste fim de Carlos Alberto Decotelli da Silva. O ministro escolhido por Jair Bolsonaro para apagar o incêndio que foi a desastrosa gestão de Abraham Weintraub chegou a despertar uma ponta de esperança na população. Havia um sentimento de que não podia ser pior. Claro, era difícil acreditar que algo pudesse ser pior do que Weintraub.

Mas estamos no governo Bolsonaro. Do paspalhão colombiano Ricardo Vélez Rodriguez ao idiota e fugitivo Weintraub, só faltava um mentiroso pra conseguir piorar a situação.

Isto porque ao menos os dois anteriores, por piores que fossem, eram coerentes. Os princípios olavistas e a política pública de desmonte da educação brasileira estavam claros desde o início, tanto em Velez, quanto em Weintraub.

Decotelli, de tão errado, se demitiu antes mesmo de tomar posse no cargo. Foi anunciado com pompa pelo presidente. Doutorado, pós-doutorado. Na verdade, a titulação do cientista fajuto não passava de um castelo de areia. Se vinha para agradar quem faz pesquisa científica no Brasil, fez foi raiva, e expôs o governo ao ridículo.

Apesar da nomeação, foi pego na mentira antes da posse. O doutorado era fajuto. Ele tentou ajeitar o currículo Lattes pra ver se emendava, mantendo os outros títulos, mas não teve jeito, pois se não havia doutorado, o pós-doutorado também não fazia sentido. E as farsas foram surgindo. O doutorado nunca existiu, o pós-doutorado fora um curso, a empresa que o teria apoiado era fake, há suspeita de plágio no mestrado, e até sua condição de professor da Fundação Getúlio Vargas ele inventou.

Muitos mentirosos

Decotelli, com sobrenome que parece ter origem italiana, se inspira na verdade em outra criação italiana. Pinocchio, de Carlo Collodi.

“O breve”, como tem sido chamado o ministro, também pode receber a alcunha de “o mentiroso”, “o falsário”, “o fake”. São muitas as possibilidades para quem vive da mentira.

Nada que surpreenda, vindo de um governo que se sustenta de mentiras desde a eleição. Um governo que dissemina fake news, que mantém inimigos imaginários, que fecha a transparência pública oficial e que ataca a liberdade de imprensa. A mentira é política pública da gestão de Jair Bolsonaro.

Decotelli virou piada. “Acadêmico do Tucuruvi”. Dizem que se catucar um pouco mais, nem a graduação sobra. Terá que ser chamado para fazer supletivo.

Histórico em xeque

O problema não é a falta de títulos, mas a mentira em torno deles. E com o mau exemplo, a certeza de que não estava à altura do cargo de ministro da Educação.

Vale questionar todos os cargos e conquistas obtidos com o currículo falso. Tudo deve cair por terra. Após a humilhação pública, resta a Decotelli o esquecimento. Se o governo fosse mesmo sério, processaria Decotelli na esfera criminal, mas isso é algo que eu duvido que aconteça.

No fim das contas, foi a ambição de alçar o cargo mais alto na educação brasileira, ou a burrice de ter um currículo inventado e achar que ninguém descobriria? Havia precedentes entre ministros do governo com casos semelhantes. Damares Alves e Ricardo Salles são dois que mentiram em seus currículos e continuam aí, bancados por Bolsonaro.

Para Decotelli, não deu. E agora, nada mais na área da educação dará. Poderia ter ficado quieto com suas aulas, ninguém contestaria seu currículo. Agora, não tem moral para ser professor, não tem respaldo social para viver como escritor. De que serve um mentiroso? Pode virar político no futuro, preferencialmente associado à ala bolsonarista. Têm tudo a ver.

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