Jornalista, fotógrafo e consultor. Escreve desde poemas de amor a ensaios sobre política. É editor no Termômetro da Política e autor de Emagreça bebendo cerveja. Twitter: @gesteira.
Jornalista, fotógrafo e consultor. Escreve desde poemas de amor a ensaios sobre política. É editor no Termômetro da Política e autor de Emagreça bebendo cerveja. Twitter: @gesteira.
Vitor Hugo e a desumanidade na gestão da Prefeitura de Cabedelo
Compartilhe:
Orla de Intermares deve passar por transformações na gestão do prefeito Vitor Hugo (Foto: Reprodução/Google StreetView)

É absolutamente desumana a forma como a Prefeitura de Cabedelo vem tratando os comerciantes que vendem cocos na orla de Intermares. Na quinta-feira (21) eles foram notificados a deixar seus locais de trabalho em 48h. Em plena pandemia de covid-19, sem auxílio emergencial ou qualquer outra alternativa financeira por parte do poder público para que possam sobreviver, vem o prefeito Vitor Hugo (DEM) de forma bruta retirar os comerciantes dali.

A tradicional venda de coco já faz parte do cotidiano em Intermares. A prefeitura sequer apresentou um projeto de realocação daqueles comerciantes. Não houve conversa, e este talvez seja o último fim de semana em que eles terão como tirar seu sustento.

A notificação entregue aos comerciantes alega uma recomendação do Ministério Público. Ora, recomendação não é medida coercitiva. Se Vitor Hugo foi desumano a ponto de enxotar os comerciantes sem lhes apresentar ao menos uma saída, o fez porque quis. Deveria considerar ao menos o cenário de crise econômica e a dificuldade que aqueles vendedores enfrentarão. Mas se o salário de prefeito está garantido, empatia pra quê?

Os vendedores de cocos alegam que já vinham enfrentando uma queda brusca nas vendas após a mudança no trânsito de Intermares, outra intervenção feita pelo prefeito sem qualquer tipo de diálogo ou projeto, apenas para instalar aquele semáforo e causar a insatisfação da população.

Como morador, eu gostava mais daquele prefeito Vitor Hugo que cuidava da zeladoria da cidade e só aparecia na imprensa para dizer que não tinha nada a ver com a Operação Xeque-Mate, aquela que prendeu todo mundo, virou Cabedelo do avesso, pôs a prefeitura no colo dele e o deixou quase sem nenhum arranhão em sua imagem. Teria saído intacto se não tivesse sido indiciado pela Polícia Federal. Atualmente, de tanto esforço em aparecer, acumula desgaste.

A truculência pouco a pouco vai transformando o bairro de Intermares. São mudanças que colocam a pacata orla no caminho da padronização tosca, de estacionamentos pagos e quiosques pré-formatados. Tomara que não mude Intermares a esse ponto. A praia tranquila de hoje não merece, nem seus moradores.

Compartilhe: