A partir desta quinta-feira (1º), o novo valor do salário mínimo nacional passa a ser de R$ 1.621, representando um reajuste de 6,79% em relação ao piso anterior de R$ 1.518. O montante atualizado já é válido para os vencimentos e benefícios referentes ao mês de janeiro, com os primeiros pagamentos programados para o início de fevereiro. O novo piso serve de referência para as remunerações de trabalhadores formais e para benefícios previdenciários e assistenciais, como o seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

O cálculo final, que resultou em um valor abaixo dos R$ 1.631 previstos no Orçamento de 2026, foi influenciado por uma inflação menor do que a esperada. Para chegar aos R$ 1.621, o governo aplicou a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulada em 12 meses até novembro, que foi de 4,18%, somada a um ganho real. Embora a regra de valorização considere o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores, o aumento acima da inflação foi limitado a 2,5%, conforme estabelece o teto de gastos do arcabouço fiscal aprovado no ano passado.
De acordo com a Constituição Federal, o salário mínimo deve ser capaz de atender às necessidades vitais básicas do trabalhador e de sua família, abrangendo áreas como moradia, alimentação, educação e saúde, com reajustes que preservem o poder aquisitivo. Sobre essa diretriz, o texto constitucional define o direito a um “salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim”. No entanto, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que, para cumprir integralmente essa função, o valor necessário em novembro deveria ter sido de R$ 7.067,18.
A mudança atinge diretamente 59,9 milhões de pessoas no Brasil e gera efeitos indiretos na economia, como a elevação do salário médio e do poder de compra. Enquanto o governo atual mantém a política de ganhos acima da inflação, alguns economistas sugerem que o piso dos benefícios previdenciários deveria ser desvinculado do salário mínimo para evitar o crescimento da dívida pública. Apesar dos debates econômicos, o novo valor está consolidado e os trabalhadores que recebem o mínimo ou múltiplos dele já verão o reflexo do reajuste no próximo ciclo de pagamentos em fevereiro.
Com informações de portal g1.