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Fictor: empresa que tentou comprar o Banco Master a um dia da liquidação entra com pedido de recuperação judicial
Termômetro da Política
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A Fictor, empresa que havia apresentado proposta de compra do Banco Master pouco antes da liquidação decretada pelo Banco Central, entrou com pedido de recuperação judicial. Com isso, a companhia oficializa a renegociação de compromissos financeiros que somam R$ 4 bilhões.

Fictor vinha atrasando o pagamento a seus investidores e se tornou alvo de questionamentos da CVM
Fictor vinha atrasando o pagamento a seus investidores e se tornou alvo de questionamentos da CVM (Foto: Reprodução)

Desde dezembro passado, a Fictor vinha atrasando o pagamento a seus investidores e se tornou alvo de questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que fiscaliza o mercado de capitais brasileiro. A CVM investiga a instituição por prometer retornos financeiros acima da média do mercado aos investidores.

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Na véspera da liquidação do Master, a Fictor anunciou ao mercado uma proposta de aporte de R$ 3 bilhões na empresa de Daniel Vorcaro, em parceria com investidores árabes. A Fictor atua nos ramos de alimentos, infraestrutura e financeiro, e patrocina o time de futebol do Palmeiras. Subcredenciada no arranjo de cartão de crédito, a instituição não era supervisionada pelo Banco Central.

Na última semana, a Justiça de São Paulo determinou o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões em ativos financeiros do grupo Fictor. A decisão visa manter garantia financeira exigida em contrato para uma operação de cartões de crédito empresariais realizada pela Fictor Pay.

A recuperação judicial representa uma tentativa formal de reestruturação financeira da companhia em meio a dificuldades de caixa e pressão regulatória.

Grupo Fictor atua em alimentos, energia, infraestrutura e serviços financeiros

Fundado em 2007, o conglomerado brasileiro opera em setores diversificados, incluindo indústria alimentícia, energia, infraestrutura, mercado imobiliário (real estate) e soluções de pagamento. Ao longo dos anos, o grupo expandiu sua atuação por meio de participações societárias e investimentos em empresas de diferentes ramos, consolidando um modelo de negócios variado.

Suas operações abrangem atividades industriais, como produção de proteína animal, projetos de energia e infraestrutura, além de serviços financeiros e meios de pagamento. A companhia afirma empregar mais de 10 mil pessoas, direta e indiretamente.

A origem do grupo está no setor de tecnologia, atuando inicialmente como fornecedora de soluções para logística e gestão empresarial. Em 2013, realizou sua primeira operação de private equity e, a partir de 2016, iniciou a diversificação do portfólio.

Em 2018, ingressou no mercado de trading de commodities do agronegócio, ampliando sua presença na cadeia de alimentos. Nos anos seguintes, estruturou seus negócios em três grandes frentes: alimentos, serviços financeiros e infraestrutura. Em 2022, o número de empresas sob sua gestão chegou a dez.

Em 2023, criou a Fictor Energia, atuando em fontes renováveis como usinas solares e hidrelétricas, com operações em estados como Amazonas, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo. Em 2024, lançou a FictorPay, focada em soluções de adquirência, crédito e tecnologia financeira, e listou a Fictor Alimentos S.A. na B3 sob o código FICT3.

Entre 2024 e 2025, o grupo abriu escritórios no exterior, com unidades em Miami (Estados Unidos) e Lisboa (Portugal), além da sede em São Paulo.

No segmento de alimentos, reúne empresas dedicadas à produção e comercialização de proteína animal e operações no agronegócio. O grupo informa ter capacidade de abate de até 150 mil aves por dia, com potencial de expansão para 350 mil, atendendo cerca de 5 mil clientes. Entre as marcas do portfólio estão Dr. Foods, Fredini e Vensa, com fábricas, granjas e frigoríficos distribuídos em cinco estados: Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

No braço financeiro, opera por meio da Fictor Asset — gestora de investimentos focada em fundos estruturados e ativos alternativos, administrando aproximadamente R$ 966 milhões em dez fundos — e da FictorPay, voltada a meios de pagamento.

Na área de infraestrutura, desenvolve projetos imobiliários, de armazenagem logística e de geração de energia, priorizando eficiência operacional e soluções sustentáveis.

A visibilidade do grupo aumentou com patrocínios esportivos. Em 2025, firmou contrato com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), considerado o maior patrocínio privado da história da entidade, com repasse de R$ 21 milhões até março de 2029. Também se tornou patrocinador máster das categorias de base do Palmeiras e passou a estampar sua marca nas costas da camisa do time profissional, em contrato inicial de três anos com valor fixo de R$ 25 milhões por temporada, podendo chegar a R$ 30 milhões com bônus.

Com informações de O Globo e g1.

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