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No debate sobre fim da escala 6×1, Tarcísio se posiciona junto aos empresários
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta segunda-feira (18) que qualquer mudança na jornada de trabalho, como a proposta de acabar com a escala 6×1, precisa considerar os impactos sobre os empregadores para não prejudicar os próprios trabalhadores. Ele participou da abertura da 40ª edição da APAS Show, feira do setor supermercadista.

"Não adianta achar que vai cuidar do trabalhador sem cuidar do empregador", disse Tarcísio
“Não adianta achar que vai cuidar do trabalhador sem cuidar do empregador”, disse Tarcísio (Foto: Reprodução/TV Globo)

“Não adianta achar que vai cuidar do trabalhador sem cuidar do empregador. Quem está falando hoje de desoneração do empregador?”, questionou Tarcísio. Segundo ele, embora haja consenso sobre a necessidade de melhores condições de trabalho, alterações mal calibradas podem resultar em perda de renda ou aumento da informalidade.

O governador reconheceu que todos desejam que o trabalhador tenha mais tempo com a família e melhores escalas, mas alertou para o risco de iludir a população. “Todo mundo quer que o trabalhador possa passar mais tempo em casa, possa ter uma escala melhor e ganhar a mesma coisa, possa estar com seus entes queridos. Mas a gente não pode enganar o trabalhador, essa é a grande questão”, afirmou.

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Tarcísio argumentou que a redução da jornada pode levar o funcionário a buscar bicos para compensar eventual perda de poder de compra. “Não adianta achar que, de repente, aquele trabalhador que vai ter uma jornada reduzida, mas vai perder o seu poder de compra, vai aproveitar essa jornada com sua família. Ele vai ter que perder o tempo livre fazendo bico pra garantir o mínimo de renda, e isso é extremamente preocupante”, completou.

Ele defendeu que o projeto não seja discutido com pressa e que as preocupações do setor produtivo sejam ouvidas. “Há uma preocupação enorme que precisa ser ouvida pra que a gente não leve as pessoas pro caminho da informalidade, da falta de proteção social, do desemprego, da falta de recursos e dinheiro no fim do mês. Pra que a gente não eleve ainda mais o custo das empresas e onere ainda mais o empresário que gera emprego”, disse.

Segundo Tarcísio, o setor supermercadista paulista já adota, em muitos casos, escalas 5×2 mantendo a carga horária, o que garante renda e formalidade. Ele ressaltou que trabalhadores e empregadores fazem parte do mesmo sistema e que o debate deve levar em conta encargos trabalhistas pesados. “Imagina aquele empregador que hoje paga R$ 3 mil para o seu funcionário, mas queria pagar R$ 6 mil e não paga porque esse dinheiro é subtraído por meio de encargos pesados”, exemplificou.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também participou do evento e afirmou que a discussão sobre o fim da escala 6×1 já chegou ao cotidiano dos trabalhadores. Ele contou que recentemente foi questionado por uma funcionária sobre quando a jornada 6×1 iria acabar. Segundo Alckmin, o governo buscará diálogo com trabalhadores e setor produtivo. “A política é essa arte do abraço coletivo, do bem comum, de nós buscarmos as melhores soluções. Nós vamos buscar o diálogo pra gente buscar a melhor solução”, afirmou.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse ter ouvido de lideranças empresariais forte preocupação com o projeto do governo federal. Para ele, o tema precisa amadurecer. “Ninguém está dizendo que não tem que discutir, mas existe o timing e o momento adequado”, afirmou. Nunes alertou ainda que mudanças na jornada podem impactar contratos públicos, especialmente concessões, e destacou a complexidade jurídica do assunto.

Com informações do portal g1.

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