O PT já articula internamente um plano alternativo para a disputa pelo governo de Minas Gerais em 2026, após sinais cada vez mais claros de que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) não deve entrar na corrida eleitoral. A avaliação é compartilhada por dirigentes petistas e por aliados do próprio senador, mesmo que publicamente ele ainda mantenha a indefinição.

Interlocutores afirmam que Pacheco já sinalizou, em conversas reservadas, a intenção de não disputar o Palácio da Liberdade. Procurado, o senador não se manifestou. Entre seus aliados, circula a possibilidade de ele buscar uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU) ou em outros tribunais superiores, já que o presidente Lula não deve indicá-lo ao Supremo Tribunal Federal. Como última opção, ele poderia se afastar da vida pública.
As discussões ganharam força após a derrota de Messias no Senado, o que aumentou questionamentos sobre o grau de proximidade de Pacheco com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), apontado como articulador da rejeição. Alguns aliados do governo federal passaram a suspeitar de um possível “jogo duplo” do senador.
No PT, a percepção é de que Pacheco nunca demonstrou total disposição para a candidatura e que o recuo já vinha se desenhando antes mesmo da crise recente. Diante disso, o partido passou a mirar alternativas. O nome que mais aparece nas conversas internas é o do empresário Josué Alencar, que se filiou recentemente ao PSB e é visto como alguém com bom trânsito em diferentes setores.
Presidente do PT em Belo Horizonte, Guima Jardim, defendeu o nome:
“A escolha da nossa militância é Josué Alencar. Esteve conosco nos piores momentos. Não seria nenhum desconforto tê-lo conosco, muito pelo contrário: fiel, sereno e dialogador”.
Filho do ex-vice-presidente José Alencar e ex-presidente da Fiesp, Josué é descrito por petistas como um aliado histórico, com capacidade de diálogo amplo — qualidade considerada essencial em um estado estratégico para Lula.
O deputado Rogério Correia (PT-MG) continua sustentando publicamente a candidatura de Pacheco:
“Pacheco segue nosso candidato. Tem a confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT e da bancada mineira do governo. Está articulando uma coligação mais ampla, com MDB, União Brasil, PP e PDT”.
Já a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, reconhece a possibilidade de um plano B, mas ainda aposta no senador:
“Estou defendendo Pacheco por acreditar que ele não tem domínio sobre o que aconteceu no Senado e tem lealdade ao presidente Lula. Acho que ele é o nosso candidato e pedi ao PSB que agilize o processo. Estou pensando em plano B, claro, mas não quero antecipar porque ainda aposto minhas fichas no senador”.
Outros nomes também circulam nos bastidores, como a própria Marília Campos, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e o ex-procurador Jarbas Soares, recém-filiado ao PSB. Em parte do partido, o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) é visto como opção mais testada eleitoralmente, apesar do rompimento com Lula após 2022.
Sem definição de Rodrigo Pacheco, o PT mantém o apoio público ao senador enquanto, nos bastidores, amplia o leque de alternativas para a disputa em Minas Gerais.
Com informações do portal InfoMoney.