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E-mails indicam que Flávio Bolsonaro tinha conta conjunta com suspeito de lavar dinheiro do INSS
Termômetro da Política
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Um e-mail de 22 de maio de 2025, encontrado pela Polícia Federal no iCloud de Willer Tomaz, pede ao Santander que desassocie do “usuário master” ligado ao advogado a conta ” 3219********29 – Flávio Bolsonaro”. No mesmo dia, o banco confirma a exclusão. O movimento ocorre praticamente um mês depois da primeira fase da operação Sem Desconto, que apura desvios de até R$ 6,3 bilhões de aposentadorias por descontos associativos indevidos. Ambos negam a divisão da conta.

Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro mantinham conta conjunta no Santander (Foto: Reprodução/X)

Os documentos estavam numa conta da nuvem da Apple e foram acessados numa das fases da operação, que investiga descontos contra milhões de aposentados do INSS. A troca trata de uma conta ligada à Alcazar Holdings, empresa da Ilha da Madeira, em Portugal, da qual Tomaz é sócio. A firma figura entre as empresas do advogado listadas pela PF no suposto esquema de lavagem. O e-mail foi enviado por Fayla Zulmira Menezes, funcionária do escritório.

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No site do Santander, mais de um usuário pode acessar conta de pessoa jurídica: o “master” executa todas as operações; os “secundários”, só o que o master permite. Na prática, mais de uma pessoa ou empresa pode movimentar os valores. O e-mail de Fayla faria referência a usuários, entre eles Flávio, que podiam administrar uma conta PJ da empresa de Tomaz. A PF, ao analisar a mensagem, registra que a conta identificada como Flávio Bolsonaro estava vinculada ao mesmo contato de usuário master no qual o escritório pedia inclusão da Alcazar, ao lado da conta pessoal do próprio Willer, até aquela data.

No relatório, a corporação aponta a necessidade de aprofundar as movimentações do advogado e de suas empresas e a relação com agentes públicos como o senador. Em nota, Flávio afirma que “nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas”. Segundo ele, “toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa”. O candidato já admitiu publicamente “amizade legítima” com o advogado. Os dois fizeram safari na África em março de 2025. Flávio usou jatinho de Tomaz em janeiro daquele ano e um apartamento do advogado em São Paulo, já na campanha.

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Willer Tomaz disse, em nota, que a conta mencionada “nunca lhe pertenceu”. “Ele jamais criou usuário em nome do senador Flávio Bolsonaro em qualquer plataforma.” Entre os dois, afirma, há apenas amizade, “sem relação comercial ou financeira”. Em nova nota enviada hoje (10), diz ter adotado “medidas criminais cabíveis em razão da divulgação de acusações falsas a seu respeito” e que a PF determinou investigação criminal para apurar “o vazamento das informações protegidas por sigilo”.

Tomaz foi alvo de busca em agosto, por suspeita de lavar dinheiro desviado das aposentadorias para o senador Weverton Rocha (PDT-MA), também investigado. Já havia sido preso em 2017 no inquérito da propina da JBS; a denúncia foi rejeitada depois por falta de provas. É investigado ainda por lavagem com bets. Apostou R$ 6,6 bilhões em 18 meses, segundo documentos da defesa numa ação contra a Blaze. De janeiro de 2025 a julho de 2026, a defesa alegou ludopatia, informou prejuízo de R$ 188,5 milhões e pediu a devolução dos valores.

A PF também apurou que duas empresas de Tomaz no exterior pagaram jatos para Flávio e a família em 2024 e 2025: a Alcazar Holdings, da Madeira, e a Cathedral Holdings, também em Portugal. Tomaz se diz único sócio da Alcazar e declara 24% da Cathedral. A Alcazar bancou voos no Legacy 650 de prefixo PP-NLR, do qual tem um terço. Outra cota pertencia à Prime You, que teve como sócio Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso desde março. Foi nesse avião que Flávio, a mulher, as duas filhas e Tomaz voaram de Fort Lauderdale a Brasília em janeiro do ano passado. O advogado disse que pagou o trecho com horas da própria cota e que os passageiros viajaram como convidados. A Cathedral pagou voos da NetJets, que vende cotas e pacotes de horas.

As viagens integram ao menos cinco deslocamentos internacionais dos dois no primeiro semestre do ano passado, como mostrou O Globo. Em abril, de Lisboa a Nice. Em maio, já com as famílias, de Cascais a Nice e de Nice a Paris, pela NetJets.

Weverton Rocha foi quem colocou Tomaz na mira da PF e fez o ministro André Mendonça autorizar a busca no escritório. A corporação descreveu empresas e escritórios ligados ao advogado como “como verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico” à disposição de beneficiários, entre eles o senador do Maranhão. No caso de Flávio, os e-mails do Santander, os voos e a relação próxima sustentam a linha de que o candidato do PL seja um desses beneficiários do “hub financeiro”. Para Weverton, a PF colocou Tomaz como “personagem de sustentação, associado a empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos”. A mesma Fayla, que enviou o e-mail da conta de Flávio, aparece no caso de Weverton como responsável, dentro do escritório, por operar contabilidade paralela do senador do Maranhão.

Com informações do portal UOL.

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