O caso da morte de Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, voltou ao centro do debate político depois que o presidente Lula (PT) questionou o senador Flávio Bolsonaro, durante o debate da Band na noite de domingo (18), sobre a atuação do presidenciável como advogado do policial militar Bruno Dias Delaroli. Lula perguntou por que o senador tentou reverter a decisão que levaria o agente a júri popular. Flávio não respondeu de forma direta e tentou se esquivar.

“Você era senador da República e foi interferir para que o policial que matou uma criança de 5 anos com uma bala de fuzil não fosse preso. Me explica por que você fez isso?”, questionou Lula.
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Ana Clara morreu em 2 de fevereiro de 2021, atingida por um disparo de fuzil na comunidade Monan Pequeno, em Niterói, na região metropolitana do Rio. A menina brincava na porta de casa com o irmão, de 2 anos, no momento em que foi baleada. Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, o cabo da Polícia Militar Bruno Dias Delaroli efetuou disparos em direção a uma área residencial durante um patrulhamento e assumiu o risco de atingir moradores. A acusação afirma que pessoas presentes no local alertaram os policiais de que havia moradores, mas os tiros continuaram. A defesa do PM sustenta que ele reagiu a uma agressão de traficantes. Delaroli chegou a ser preso após o episódio, mas passou a responder ao processo em liberdade, cumprindo medidas cautelares.
A Justiça determinou que o policial fosse submetido ao Tribunal do Júri. Em 2024, Flávio Bolsonaro integrou a equipe de defesa e assinou um recurso no Superior Tribunal de Justiça para tentar reverter a decisão. O pedido foi negado. O senador atuou no caso enquanto exercia o mandato no Senado. Mais de cinco anos após a morte da menina, o julgamento ainda não ocorreu.
O caso também foi retomado pela série jornalística Revelando, em episódio apresentado por Camila Pitanga, que reconstruiu a morte de Ana Clara e abordou a participação do senador na defesa do policial.
Com informações da Carta Capital.