O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou na sexta-feira (16) a mudança de endereço de mais de 4,3 mil seções eleitorais para o segundo turno das eleições de 2026. O volume, porém, não é fixo e pode sofrer ajustes diários até o domingo da votação, em 25 de outubro. O próprio tribunal recomenda que cada eleitor confira o local antes de sair de casa e utilize apenas os canais oficiais — o site do TSE e o aplicativo e-Título — porque listas que circulam em redes sociais podem estar desatualizadas.

Segundo o órgão, alterações entre o primeiro e o segundo turno são comuns em todas as eleições e “seguem regras e atendem a necessidades de segurança”, como a transferência de um local atingido por chuvas. O número anunciado na sexta-feira correspondia a 0,87% das mais de 499 mil seções existentes no Brasil e no exterior. Na consulta feita pela reportagem ao banco de dados público do TSE no domingo (18/10), o total de seções modificadas aparecia em 2.033. O tribunal esclareceu que a lista é atualizada quatro vezes ao dia com base em informações enviadas pelos Tribunais Regionais Eleitorais, de modo que uma seção pode ser deslocada em um dia e retornar ao endereço anterior nos dias seguintes.
Situações excepcionais, como danos estruturais ou emergências climáticas, podem exigir mudanças de última hora, inclusive no próprio dia da votação, para garantir a segurança de eleitores e mesários. A orientação da Justiça Eleitoral é que o eleitor verifique a situação no sábado (24/10) ou no domingo (25/10) pelos canais oficiais.
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No sábado (17), a chapa encabeçada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou um “pedido de providências” ao TSE. O documento solicita uma “ampla, específica e efetiva divulgação” dos locais alterados e a adoção de “medidas para garantir a locomoção dos eleitores”. A campanha menciona o elevado índice de abstenção registrado no primeiro turno e lembra que a abstenção é considerada variável importante para o resultado do segundo turno, sobretudo para Lula, que busca reverter a vantagem obtida pelo senador Flávio Bolsonaro.
A análise dos dados disponíveis no domingo mostrou que o Nordeste concentrava 43,5% das alterações (cerca de 250 mil eleitores), seguido do Sudeste (22,3%), Norte (15,7%), Sul (14,1%) e Centro-Oeste (4,3%). Entre os estados com mais seções modificadas estavam Minas Gerais, Paraná, Maranhão, Pernambuco e São Paulo. Ao todo, pouco mais de 580 mil eleitores eram afetados naquele momento. Em comparação com pleitos anteriores, os números de 2026 pareciam inferiores aos de 2018 (2.387 seções) e de 2022 (5.822 seções), mas ainda podem variar até o dia da votação.
O TSE classificou as alterações como “pontuais”. “As mudanças ocorrem por motivos práticos: desde reformas de última hora e melhorias de acessibilidade em prédios públicos até o impacto de fortes chuvas, que exigiram a transferência preventiva de locais danificados para instalações vizinhas e mais seguras”, afirmou o tribunal. Os principais motivos apontados são intempéries climáticas e a preservação da integridade física de eleitores e voluntários. No município de Confresa, no interior de Mato Grosso, fortes chuvas e ventos nos dias 9 e 10 de outubro danificaram a cobertura de uma escola municipal. “Um laudo de engenharia emitido em 11 de outubro recomendou a interdição preventiva imediata do imóvel, o que forçou a transferência de emergência das seções para um endereço vizinho”, detalhou o TSE. Outros fatores incluem “manutenções prediais de última hora, reformas não concluídas em escolas públicas e perda de condições mínimas de acessibilidade e fornecimento de energia elétrica”. As decisões não são centralizadas: “A responsabilidade cabe a cada zona eleitoral, que conhece a realidade de seu município e avalia a infraestrutura disponível.” Qualquer atualização reflete-se imediatamente nos canais oficiais.
Alberto Rollo, advogado especialista em direito eleitoral, considera as mudanças normais. “E a explicação para isso é bem objetiva: reformas nas escolas, chuvas, queda de telhados, problemas no entorno, dificuldade de trânsito, alagamento de córregos… Isso é normal, e acontece em todas as eleições”, afirmou. Ele ressaltou que o volume envolve menos de 1% das seções. “É um número pequeno, e tem em vista sempre o bem-estar do eleitor, a acessibilidade e as condições materiais”, disse. Rollo defende que a Justiça Eleitoral dê destaque às alterações: “Isso porque o eleitor acorda no dia e vai para o mesmo lugar onde votou nas eleições anteriores, ou no primeiro turno. O eleitor precisa ter tempo de conferir essa informação, principalmente se ele mora num lugar onde choveu muito nos últimos dias.” Sobre eventuais suspeitas de manipulação, afirmou: “É lógico que, num ambiente de polarização, surgem fofocas. Mas isso não é verdade. Quem define essas questões são os TREs de cada Estado.” E completou: “O presidente e os ministros do TSE não sabem se está acontecendo uma enchente no Rio Grande do Sul ou se ocorreu o desabamento de um muro na Bahia.”
Fernando Neisser, professor de direito eleitoral da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, reconhece que mudanças pontuais são comuns, mas avalia que o TSE deveria informar com mais antecedência. “Acho que isso deveria ter sido feito com mais antecedência”, disse. “A gente sabe que, em geral, as pessoas não entram no e-Título para checar o local. Isso pode trazer prejuízos à presença das pessoas na urna”, observou. Para ele, “é dever do TSE fazer uma campanha maciça de informação a esses eleitores específicos” e “Há uma obrigação de informá-los diretamente, não só através de comunicados de imprensa ou pelo aplicativo e-Título”.
Para consultar o local de votação, o eleitor pode acessar o site do TSE, na área de Autoatendimento eleitoral, clicar em “Onde votar” e informar número do título ou CPF ou nome, data de nascimento e nome da mãe. Também é possível verificar pelo aplicativo e-Título, disponível para Android e iOS, após login com dados básicos.
Com informações da BBC.