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Menino de 2 anos morto em hospital de Andradina foi vítima de superdosagem medicamentosa, denuncia MP
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Um menino de dois anos, internado com bronquiolite no hospital de Andradina (SP), morreu após receber uma superdose de succinilcolina, medicamento usado para intubação, no lugar da hidrocortisona prescrita. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público, que acusa a técnica de enfermagem responsável pelo preparo do remédio de homicídio culposo. A primeira audiência de instrução do caso está marcada para esta terça-feira (2), de forma virtual, na 1ª Vara de Andradina.

Denúncia apresentada pelo Ministério Público acusa a técnica de enfermagem responsável pelo preparo do remédio de homicídio culposo (Foto: Arquivo pessoal)

José Rafael dos Santos Sailvano de Souza deu entrada no hospital na noite de 6 de maio de 2025. A médica responsável indicou 100 mg de hidrocortisona por via intravenosa. No entanto, a técnica de enfermagem retirou da gaveta um frasco de succinilcolina e aplicou uma dose oito vezes maior do que a recomendada para crianças da mesma faixa de peso. Pouco depois da administração, o menino apresentou queda abrupta da saturação de oxigênio, vômito, bradicardia e parada cardiorrespiratória. Apesar das manobras de reanimação, ele não resistiu.

O Ministério Público aponta que a profissional não conferiu corretamente o rótulo do frasco antes da aplicação. Segundo a denúncia, o medicamento de uso restrito e potencialmente letal estava armazenado na mesma gaveta da hidrocortisona, o que configuraria falha sistêmica na organização e armazenamento dos fármacos na unidade hospitalar.

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Laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística confirmam que a dose aplicada foi de 100 mg de succinilcolina, enquanto a recomendada para uma criança de 12 a 13 quilos varia entre 8 e 39 mg.

A defesa da técnica de enfermagem discorda da conclusão do Ministério Público e sustenta que a responsabilidade pela morte não pode ser atribuída exclusivamente à profissional. O advogado Anderson Alves de Oliveira argumenta que houve uma “causa superveniente e independente”, relacionada a supostas falhas no atendimento médico posterior, como atraso no diagnóstico correto e omissão na adoção de protocolos clínicos adequados. Ele também menciona “contradições profundas” e divergências nos depoimentos dos profissionais envolvidos, que serão discutidas na audiência.

Em nota, a Unimed de Araçatuba, à qual o hospital está ligado, informou que acompanha o andamento do processo e, por respeito ao Poder Judiciário, não comentará o caso neste momento. A instituição afirmou que a audiência é uma etapa importante para o esclarecimento dos fatos e reforçou seu compromisso com a segurança dos pacientes.

O hospital informou, à época, que afastou a técnica de enfermagem envolvida e colaborou com as investigações. Questionada sobre a permanência da profissional no quadro de funcionários, a Unimed de Araçatuba não retornou até o momento.

Com informações do portal g1.

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