O historiador italiano Carlo Ginzburg morreu aos 87 anos. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (17) pela filha dele, Lisa Ginzburg, autora e filósofa, que publicou no Instagram a mensagem: “Adeus, pai”, acompanhada de uma foto dos dois.

Ginzburg foi um dos principais nomes da chamada micro-história, corrente historiográfica que privilegia investigações de pequena escala como forma de questionar os grandes modelos explicativos da história, como o marxismo. Intelectual de esquerda, dedicou-se a temas como os processos de bruxaria, o pensamento mágico na Itália renascentista e a história intelectual da Europa.
Ele foi professor na Universidade de Bolonha, na Scuola Normale Superiore de Pisa e na Universidade da Califórnia (UCLA). Em 1976, publicou o livro Il formaggio e i vermi (O Queijo e os Vermes), obra clássica e amplamente traduzida que reconstruiu a visão de mundo de um moleiro do século XVI natural de Friuli, no nordeste da Itália.
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Nascido em 15 de abril de 1939, em Turim, Carlo Ginzburg era filho da romancista e tradutora Natalia Ginzburg e do professor de literatura russa e militante antifascista Leone Ginzburg. O pai foi assassinado pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial, quando Carlo tinha cinco anos.
Em 1991, Ginzburg publicou um livro sobre o primeiro julgamento de Adriano Sofri, jornalista de extrema esquerda condenado pelo homicídio de um delegado de polícia em 1972. Na obra, o historiador traçou paralelos entre o caso e os processos por bruxaria dos séculos XVI e XVII, sem mencionar eventual erro judicial. Sofri foi condenado em 1997, após sete julgamentos, a 22 anos de prisão, e foi libertado em 2012. Ginzburg foi um dos intelectuais que defenderam Sofri ao longo do processo.
Com informações da Folha de PE.