A chapa formada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) foi oficializada neste domingo (2), durante a Convenção Nacional do PT, em São Paulo, com o apoio de sete partidos. Em seu discurso, o presidente recorreu à própria trajetória e às transformações sociais dos governos petistas — em especial do atual mandato — para projetar um novo ciclo de desenvolvimento mais ousado, com inclusão social e defesa da soberania brasileira.

“Eu leio o passado para trabalhar no presente e para não errar no futuro”, afirmou Lula.
Ao contrastar seu legado com o período que atribuiu ao bolsonarismo e à extrema direita, o presidente disse que a campanha será sustentada pelas realizações dos governos petistas e pela capacidade já demonstrada de melhorar a vida da população.
“Quem fez pode prometer mais, quem não fez não tem o que prometer. Essa é a lógica da nossa campanha”, disse.
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Lula apresentou as realizações do governo como principal credencial para os compromissos assumidos. Em vez de promessas desconectadas da realidade, afirmou, a candidatura mostrará o êxito de programas criados, políticas reconstruídas e investimentos históricos. Citou o Prouni, o Reuni, o Fies, o Pé-de-Meia e o Minha Casa, Minha Vida, além da retomada da demarcação de terras indígenas e da regularização de territórios quilombolas.
“A minha quarta Presidência é para mudar muita coisa nesse país”, destacou.
Entre as transformações necessárias, mencionou o debate sobre o Orçamento da União, o crescimento das emendas parlamentares e a transferência de atribuições do Executivo para o Legislativo. Segundo ele, o tema exigirá discussão democrática e uma bancada comprometida com a recuperação da capacidade do Estado de planejar e executar políticas nacionais.
“Vai ter que ter briga democrática para a gente dar uma mudança nesse país”, declarou.
Lula defendeu colocar o Brasil em um novo patamar de desenvolvimento. Com a população novamente protegida por programas sociais, chegou o momento, segundo ele, de ampliar os investimentos em educação, ciência, tecnologia, indústria e infraestrutura.
“Agora que nós estamos com a base garantida, é hora de dar um salto de qualidade. É hora de pensar nesse país e qual é o país do futuro que nós vamos entregar”, declarou.
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O presidente disse que não pretende ficar identificado apenas como o responsável pelo Bolsa Família. Embora tenha reafirmado a importância do programa no combate à fome e à pobreza, defendeu que o próximo governo seja marcado por mudanças estruturais.
“Eu não quero ser mais o presidente só do Bolsa Família. É preciso mais. A gente vai ter que mudar de comportamento e ser mais ousado”, afirmou.
Mencionou a aprovação da reforma tributária, após cerca de quatro décadas de tentativas, e a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil. Ao agradecer ao ex-ministro da Fazenda e candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, ressaltou sua capacidade de negociação com o Congresso Nacional.
Ao longo do discurso, Lula apresentou cinco grandes compromissos para um eventual quarto mandato: garantir a soberania sobre os recursos estratégicos, enfrentar a violência contra as mulheres, transformar a educação, criar uma política nacional para os idosos e fortalecer a defesa do país.
O primeiro envolve o domínio brasileiro sobre terras raras, minerais críticos e novas tecnologias. Lula defendeu que o país deixe de ser apenas fornecedor de matéria-prima e desenvolva conhecimento para explorar, transformar e utilizar suas próprias riquezas.
“Nem chinês, americano ou francês vão meter o dedo na nossa terra rara. Já que a inteligência artificial existe, ela pode ser útil e vamos investir muito nisso“, afirmou.
Sobre a educação, colocou o tema entre as principais prioridades.
“Eu sou candidato pela quarta vez para resolver definitivamente o papel da educação nesse país”, afirmou.
O enfrentamento à violência contra as mulheres apareceu como outro compromisso central. Lula afirmou que o combate ao feminicídio não pode ser tratado como responsabilidade apenas das vítimas ou dos movimentos feministas. Defendeu relações baseadas em respeito, companheirismo e igualdade.
“Não existe contrato que permita ser dono”, disse, ao criticar homens que tratam namoradas e esposas como propriedade.
Lembrou a criação do Pacto Nacional contra o Feminicídio e medidas recentes, como o pagamento de pensões alimentícias por meio do Pix e o uso de tornozeleiras eletrônicas com mecanismos capazes de alertar mulheres protegidas por medidas judiciais.
“Se bater na mulher, não precisa votar em mim”, afirmou.
Lula afirmou que o quarto mandato não pode apenas repetir o que já foi realizado. Com o combate à fome, a recuperação de direitos e a reconstrução dos ministérios e programas desmontados pelo governo anterior, o país precisa avançar sobre o que ainda não foi resolvido.
“Eu quero o Lulinha que vai fazer o que a gente ainda não fez, porque o básico nós já cuidamos”, apontou.
Reconheceu que nem todas as promessas e expectativas construídas ao longo de sua trajetória puderam ser atendidas. Governar, explicou, significa escolher caminhos, lidar com limitações e tomar decisões que nem sempre agradam a todos.
“Eu peço desculpa pelos erros que eu cometi, peço desculpa pelas coisas que eu não fiz”, declarou.
Na sequência, afirmou que os resultados do governo oferecem à militância instrumentos inéditos para o debate político. A campanha deverá ser feita com argumentos, diálogo e comparação entre os projetos de país.
“Quando a gente governa, a gente não faz tudo o que quer. É importante saber que governar é decidir”, afirmou.
Ao tratar da disputa eleitoral, Lula alertou para a circulação de conteúdos falsos produzidos ou impulsionados por inteligência artificial. Para ele, o campo democrático precisa conhecer as realizações do governo e dialogar com a população, inclusive com eleitores atraídos pelo bolsonarismo.
“A gente não tem que brigar, a gente tem que esclarecer. Tem gente que é bolsonarista porque é bolsonarista, mas tem um monte de gente que não é e que nós vamos convencer”, afirmou.
Disse confiar que as políticas públicas e os resultados alcançados serão mais fortes do que as campanhas de desinformação.
“Nós não podemos permitir que a essência da mentira utilizada pela inteligência artificial venha ganhar uma eleição nesse país. A mentira não prevalecerá. O que vai prevalecer é a entrega que nós estamos fazendo ao povo brasileiro”, declarou.
Sobre o extremismo, deixou um alerta: “Nós não temos o direito de permitir que a extrema direita volte a governar esse país”.
Lula revisitou a criação do Partido dos Trabalhadores e homenageou pessoas que participaram da construção da legenda, como Paulo Freire, Henfil, Betinho, dirigentes sindicais e militantes. Destacou que o PT reuniu sindicalistas, movimentos populares e organizações de diferentes tradições ideológicas, que aprenderam a respeitar as decisões coletivas.
“O PT é um partido político que ensinou a esquerda a viver democraticamente na diversidade”, afirmou.
Recordou a criação do Foro de São Paulo, em 1990, após a disputa presidencial contra Fernando Collor. O objetivo, segundo ele, era convencer partidos e movimentos latino-americanos de que a transformação política poderia ser alcançada pela organização popular, pelas eleições e pela democracia.
“A melhor via para a gente chegar ao poder não era a luta armada. Era a organização do povo, a eleição direta e a participação no processo eleitoral”, declarou.
Lula dedicou parte do discurso ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), novamente escolhido para a chapa. Destacou a experiência do ex-governador de São Paulo e sua atuação à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Lembrou que, ao formar o governo em 2023, buscava alguém capaz de compreender a indústria, a inovação e as necessidades do setor produtivo.
Ao recordar as primeiras direções do PT, destacou que dirigentes sindicais como Olívio Dutra, Jacob Bittar e representantes de diferentes categorias construíram um espaço comum para grupos que antes pouco dialogavam. Cada corrente manteve suas ideias, mas passou a conviver dentro de uma organização democrática.
“O partido é o guarda-chuva que unificou toda essa esquerda”, afirmou.
Lula agradeceu aos partidos que novamente se reuniram em torno de sua candidatura, entre eles PSB, PCdoB, PV, PDT e Rede. Também recordou lideranças como Miguel Arraes, Eduardo Campos, Leonel Brizola e João Amazonas.
Na avaliação de Lula, os resultados alcançados dão à militância argumentos para defender o governo em qualquer estado ou município. Destacou que quase todas as prefeituras brasileiras receberam ao menos uma obra, equipamento ou ação do Novo PAC entre 2023 e 2026. Ressaltou que essas realizações pertencem ao conjunto do governo e das forças políticas que participaram da reconstrução do país desde 2023.
Segundo ele, um governo que já entregou políticas públicas e resultados concretos tem autoridade para apresentar propostas mais ambiciosas. “Vocês têm um governo que entregou mais do que prometeu e que vai entregar muito mais”, afirmou.
Lula encerrou o discurso convocando a militância para o ato marcado para 16 de agosto, no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, palco histórico das greves do ABC.
“Dia 16 é o grande dia. Lá vocês vão ver o começo da grande vitória”.
Fonte: Partido dos Trabalhadores