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Golpo do doce: empresa fecha estande na Expocrato após ameaças e nega prática de golpe
Termômetro da Política
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A Doceria Deleites decidiu não reabrir seu estande na Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato) após receber ameaças nos últimos dias. A empresa, alvo de reclamações de clientes que afirmaram ter pago valores elevados por pedaços de doce, informou que a decisão foi tomada por conta própria e negou que o local tenha sido fechado por fiscalização do Ministério Público do Ceará.

estande da doceria chegou a ser inspecionado pelo Ministério Público do Ceará
Estande da doceria chegou a ser inspecionado pelo Ministério Público do Ceará (Fotos: Reprodução)

De acordo com a empresa, o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon) autorizou a retomada das atividades no mesmo dia em que realizou a fiscalização. No entanto, os proprietários optaram por não voltar à feira. “Observados os fatos e tendo fiscalizado a doceria Deleite’s, e não encontrando qualquer irregularidade, o MPCE autorizou ainda no mesmo dia o Estande a voltar a funcionar, conforme já estava funcionando. Contudo, devido a grandes ameaças sofridas por internautas e até mesmo por pessoas de Crato, os responsáveis da doceria preferiram não abrir mais seu estande na Expocrato”, disse a loja em comunicado.

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A polêmica surgiu após clientes relatarem terem sido surpreendidos com o preço final dos produtos. A venda era feita no sistema self-service, em que o cliente escolhia o tamanho do pedaço e, após o corte, não era possível devolver o doce por questões sanitárias. O preço de R$ 19,90 a cada 100 gramas era anunciado, mas o valor exato dependia do tamanho retirado do bloco.

Clientes relatam constrangimento

Priscila Justino, de 34 anos, viajou de Granito, em Pernambuco, até o Crato e pediu 100 gramas de um dos doces. Segundo ela, o vendedor cortou uma porção maior do que o esperado. “Eu pedi para ele cortar ‘dois dedos’. Em cima, ele cortou da espessura de ‘dois dedos’. E disse: ‘Depois que corta, não pode voltar atrás’. Mas ele aprofundou a espátula. Eu comecei a ficar indignada. Eu disse ‘moço, saiu muito’, mas tudo bem. Eu pedi outro doce. E ele fez da mesma forma.”

Ao chegar ao caixa, outro funcionário a informou que teria de levar o produto. “Ele começou a gritar ‘a senhora vai levar, sim. Partiu, tem de levar. É self-service.’” Priscila relata ter se sentido coagida. “Eu fiquei constrangida. As pessoas na fila ficaram me olhando. Eu paguei por vergonha. Depois de me xingar, em fração de segundos, eu me toquei que era uma infração”, lamenta. Ela afirma que só depois percebeu ter sido lesada e critica o constrangimento vivido: “só sabe a sensação ruim quem passou. Não é por dinheiro. É pelo constrangimento. A falta de cuidado com o cliente, com a história da Expocrato, com a construção da Expocrato, deixa a desejar e mancha a imagem do evento.”

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Outra cliente, que preferiu não se identificar, saiu de Juazeiro do Norte e pagou R$ 118 por dois pedaços de doce de creme de avelã com amendoim. “Achei um absurdo, porque lá tem o valor das 100 gramas e eles não partem as 100 gramas que você quer. Pedem para o cliente marcar o tamanho do pedaço e a gente não tem noção do tamanho que fica 100 gramas. A pessoa acaba levando porque fica constrangida de não levar.”

Empresa nega golpe e justifica regras sanitárias

Em vídeo divulgado nas redes sociais, um representante da doceria, identificado como Fausto, negou que a forma de venda configure golpe ou enganação. “A gente produz doces de leite e cocadas há vários anos e leva isso no Brasil todo. A gente nunca enfrentou nada parecido com o que com o que a gente está passando hoje aqui em Crato. Mas, acontece, a gente entende que tem pessoas que não entendem direito as coisas que a gente fala lá e pode interpretar de uma forma errada, mas não tem golpe”, explicou.

Segundo o representante, o cliente tem liberdade para escolher o tamanho da fatia. “A pessoa tem a liberdade de escolher a fatia que ela quer levar para casa. Não tem como a gente mensurar numa barra de 25 quilos uma fração de 100 gramas exata. A gente explica que depois do cortado, não pode voltar o doce. A vigilância sanitária instruiu”, alegou.

A empresa destacou que a prática é comum em feiras e exposições de produtos artesanais no país e que as regras de corte e devolução são determinadas pela vigilância sanitária. “A prática comercial proposta é utilizada em praticamente todo mercado e ou exposição de produtos rurais e artesanais, doces, queijos, condimentos e comidas típicas em nosso país, onde algumas regras quanto ao corte e devolução do produto são impostas pela vigilância sanitária, não pela doceria”, destacou a empresa.

Com informações do portal g1.

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