Há um mês após uma demissão coletiva, cerca de 350 ex-funcionários do frigorífico Balbinos, em Sidrolândia, a 70 km de Campo Grande, ainda não viram o salário de julho, a cesta básica nem a rescisão. Assinaram a demissão em 14 de agosto. A falência veio em 20 de agosto, depois de recuperação judicial com dívidas acima de R$ 120 milhões.

Joel Santos da Cruz, presidente do Sindiaves, lembra os prazos: salário até o quinto dia útil de agosto; rescisão, 24 de agosto. “Já passou bastante tempo e até agora nada. As ações individuais cobrando as verbas rescisórias também já foram distribuídas, quase todas”.
No fim de agosto, o grupo protestou na porta da planta. Aguinaldo Bento, nove anos na casa, pediu acerto. “Não é possível que agora, no final, os donos façam isso com a gente. É tanta gente sem receber. Pelo amor de Deus, acertem com nós. Temos contas para pagar”. Helenir Aparecida Figueiredo, faqueira, descreveu a conta no vermelho. “Tá difícil, né? Tem conta atrasada, boleto, água e luz que estão prestes a serem cortadas”.
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O sindicato ajuizou ação civil pública com liminar. “Faz quase 30 dias e a Justiça do Trabalho ainda nem analisou nossa ação”, afirma o jurídico da entidade.
A planta também é alvo de pecuaristas e de briga pelo arrendamento. Credores pediram à Vara Regional de Falências e Recuperações Judiciais de Campo Grande que recuse proposta de R$ 150 milhões por seis meses. Dizem que falta documento a justificar o preço. Com capacidade de 700 cabeças por dia e 20 dias úteis, seriam cerca de 14 mil animais no mês — R$ 10,71 por cabeça, no cálculo deles.
“A desproporção é aritmética. A proposta prevê o abate de até 700 cabeças por dia. Em 20 dias úteis, são cerca de 14 mil cabeças mensais: os R$ 150.000,00 equivalem a aproximadamente R$ 10,71 por animal abatido, número inferior até mesmo à proposta anterior de outro grupo interessado na mesma planta, registrada nos autos”. Pedem laudo independente, edital para propostas rivais e Comitê de Credores.
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Cinco pecuaristas de Campo Grande, Coxim e Ribas do Rio Pardo processam a empresa em Sidrolândia por cerca de R$ 2,1 milhões e mais de 100 cabeças não pagas. Um caso chega a R$ 845 mil. Parte do gado teria sido abatida; outra, revendida. Relatam férias coletivas e prazos furados no auge da crise de caixa.
A Balbinos Agroindustrial disse entender o protesto e “reconheceu a angústia daqueles que aguardam o pagamento das verbas rescisórias”. Afirmou que o quadro ficou cerca de oito meses na expectativa de reabertura. “São trabalhadores que permaneceram durante meses acreditando na possibilidade de retomada das atividades e que, infelizmente, também acabaram sendo vítimas da grave crise enfrentada pela empresa”.
A recuperação judicial, na versão da empresa, tentou salvar operação e empregos, mas faltou capital de giro. Houve pedido judicial de liberação de recursos, sem dinheiro a tempo. “A Balbinos não deixou de pagar porque simplesmente decidiu não pagar. A empresa chegou ao ponto em que não tinha mais recursos para fazê-lo”. Os créditos trabalhistas teriam prioridade, e a firma diz que seguirá com a Administração Judicial e a Justiça nas regras da recuperação. “Sem dinheiro em caixa, não há produção. Sem produção, não há faturamento. Sem faturamento, não há recuperação. A situação da Balbinos não é um problema isolado; é o que está acontecendo atualmente com outras grandes empresas brasileiras”.
Com informações do portal Midiamax.