Orkut Büyükkökten voltou a falar pelo site oficial da rede que leva seu nome. O engenheiro de software publicou a carta “Uma internet mais gentil é possível” e abriu uma petição para medir o interesse em alternativas às redes tradicionais. O formulário está em orkut.com e permite enviar cartões virtuais entre os participantes. O criador pede que cada pessoa acrescente o nome, pense em alguém que gostaria de ter ali e mande o cartão de apoiador, dizendo por que pensou nela.

No texto, ele argumenta que as plataformas se afastaram do propósito inicial. A busca por retenção e tempo de tela, escreve, transformou usuários em alvos de anúncios e de mecanismos de engajamento que geram isolamento e ansiedade. Também aponta bots, deepfakes e conteúdos sintéticos. O lema comercial “aja rápido e quebre coisas”, segundo ele, comprometeu a autenticidade das relações.
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A carta começa assim: “Oi de novo. Sou eu, o Orkut. Fiquei em silêncio por um tempo, mas preciso falar com você. O trabalho de toda minha vida tornou-se algo urgente como nunca imaginei. Há mais de duas décadas, criei algumas das primeiras redes sociais. E vi, junto com você, as redes sociais tomarem o rumo errado.” Ele pergunta se o leitor lembra “de quando a internet era humana” e de quando uma mensagem de outro continente parecia mágica. “Vinte anos otimizando tudo para capturar a sua atenção. Feeds construídos em torno do engajamento, não da conexão. Uma geração de crianças entregue a algoritmos que as viciaram, dividiram e as venderam para anunciantes. Não é de surpreender que tenham crescido solitárias e ansiosas.”
Sobre a inteligência artificial, diz que a tecnologia é extraordinária, mas “está dissolvendo a única premissa que tornou as redes sociais especiais e dignas de serem construídas: a de que havia uma pessoa do outro lado”. A demanda que mais ouve dos antigos usuários, reforça, é o formato de comunidades. “Pessoas que consertavam a mesma moto. Pessoas que pegavam a mesma linha de ônibus. Pessoas que odiavam segunda-feira. Num feed, você é plateia; numa comunidade, você é membro. Esse era o ponto.”
A iniciativa dá continuidade a abril de 2022, quando orkut.com voltou ao ar depois de anos fora. Na ocasião, Büyükkökten disse que trabalhava num projeto contra o ódio e a desinformação e abriu cadastro de e-mails. Agora conclui pedindo que se reconstrua “a internet pela qual nos apaixonamos” e encerra: “Vamos tornar a internet humana de novo, juntos!”
Com informações da CNN.