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Conheça as cavernas submarinas no atol de Vaavu, onde 5 turistas italianos morreram durante mergulho
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Cinco turistas italianos morreram nesta semana durante um mergulho em cavernas submarinas no atol de Vaavu, nas Maldivas, em um acidente classificado pelas autoridades locais como possivelmente o pior da história do país envolvendo mergulho recreativo.

Região do atol de Vaavu abriga alguns dos pontos de mergulho mais famosos das Maldivas (Foto: Cinnamon Velifushi Maldives)

O grupo desapareceu enquanto explorava formações submersas a cerca de 50 metros de profundidade, próximo à ilha de Alimatha. O atol de Vaavu fica no oceano Índico, a aproximadamente 65 quilômetros ao sul da capital Malé, e é formado por pequenas ilhas, recifes de coral e canais oceânicos profundos. A região é conhecida pela presença de barcos-hotéis especializados em expedições submarinas, chamados “liveaboards”, e é um dos destinos mais procurados para mergulho técnico e observação de vida marinha.

O local é considerado um dos mais complexos das Maldivas para mergulho devido à combinação de cavernas submarinas, túneis naturais, paredões profundos e canais estreitos conhecidos como “kandu”, atravessados por fortes correntes oceânicas. Essas características atraem grandes espécies marinhas, como tubarões-cinzentos-de-recife, tubarões-de-ponta-branca, barracudas, xaréus e arraias-manta, mas também aumentam a dificuldade operacional das imersões.

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Especialistas apontam que a profundidade de 50 metros ultrapassa o limite convencional do mergulho recreativo nas Maldivas, que gira em torno de 30 metros. Entre os fatores que podem ter contribuído para a tragédia estão oxicidade por oxigênio, desorientação dentro da caverna, baixa visibilidade, correntes fortes, falhas em equipamentos e pânico.

O pneumologista Claudio Micheletto explicou ao portal italiano Adnkronos que “a morte por toxicidade do oxigênio, ou hiperóxia, é uma das mortes mais dramáticas que podem ocorrer durante um mergulho”. Já o presidente da Sociedade Italiana de Medicina Subaquática e Hiperbárica, Alfonso Bolognini, alertou que “dentro de uma caverna a 50 metros de profundidade, basta um problema ou um ataque de pânico para um mergulhador”.

Pesquisas científicas identificam Vaavu como um dos atóis mais diversos das Maldivas em biodiversidade marinha. Um levantamento do programa internacional GCRMN (Global Coral Reef Monitoring Network) destaca que “Vaavu Atoll é relativamente pequeno, mas muito diverso em recifes”. Mais de 60% dos turistas que visitam as Maldivas praticam mergulho, e Vaavu está entre os principais destinos do país para scuba diving.

A região também sofreu impactos ambientais severos após o grande evento de branqueamento de corais provocado pelo El Niño de 1998. Desde então, o atol integra programas internacionais de recuperação ecológica e monitoramento ambiental.

As Maldivas concentram um dos maiores sistemas de recifes de coral do planeta, com mais de mil espécies de peixes e cerca de 200 espécies de coral. Nos últimos seis anos, segundo dados da polícia maldiva, cerca de 112 turistas morreram em incidentes marítimos no arquipélago, sendo 42 casos relacionados a mergulho ou snorkel.

Entre as vítimas do acidente em Vaavu estão a bióloga marinha e professora da Universidade de Gênova Monica Montefalcone, sua filha Giorgia Sommacal, o instrutor de mergulho Gianluca Benedetti, o recém-formado Federico Gualtieri e a pesquisadora Muriel Oddenino.

Com informações do portal UOL.

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