Pelo menos 17 pessoas morreram e centenas foram dadas como desaparecidas após uma enchente avançar violentamente por vales no norte do Nepal na manhã desta quarta-feira. Muitos dos desaparecidos são turistas. A torrente de lama proveniente do território nepalês também provocou “numerosas vítimas e desaparecidos” no Tibete, território sob domínio da China, segundo autoridades dos dois países e meios de comunicação estatais chineses. Equipes de resgate estão mobilizadas dos dois lados da fronteira em busca de sobreviventes.

Imagens divulgadas pela polícia nepalesa mostram a cheia arrastando casas no distrito de Rasuwa. O Exército do Nepal anunciou o envio de 14 helicópteros e equipes de resgate para apoiar as operações. As autoridades pediram auxílio à China e à Índia.
Não há um número preciso de desaparecidos. O Conselho de Turismo do Nepal informou que até 384 turistas, dos quais 291 estrangeiros, estão desaparecidos nas áreas atingidas. Funcionários de quatro postos da polícia nepalesa e agentes da alfândega lotados em uma das fronteiras terrestres com a China também não foram localizados.
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“Até o momento, oito corpos foram recuperados. As operações de resgate continuam”, afirmou o porta-voz da polícia do Nepal, Abi Narayan Kafle. “As inundações são massivas e podem ter afetado numerosas áreas habitadas”.
O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, convocou uma reunião urgente da agência responsável pela gestão de desastres. “O trabalho já começou para adotar as medidas necessárias, em coordenação com as equipes médicas, de buscas e da Cruz Vermelha”, escreveu o governante em sua conta na rede social X.
Milhares de pessoas vivem nos povoados às margens dos rios, inclusive rio abaixo das áreas atingidas. As autoridades ainda não estimaram a extensão dos danos materiais, mas pontes, escolas e projetos hidrelétricos foram levados pelas águas. A Associação de Produtores Independentes de Energia do Nepal informou que 14 projetos hidrelétricos, cinco deles em construção, foram afetados. Sessenta trabalhadores envolvidos nas obras estão desaparecidos.
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“Não houve chuva no Nepal, então não esperávamos nada parecido com isso”, disse Narendra Priyar, chefe da administração distrital de Rasuwa.
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shishir Khanal, afirmou em reunião na Câmara dos Representantes que a enxurrada resultou de um deslizamento de terra provocado por um terremoto, que bloqueou o rio. Mais cedo, especialistas sugeriram que a inundação pode ter sido causada por uma avalanche de gelo que caiu no rio Lhende, afluente do sistema do rio Bhotekoshi. A hipótese foi levantada pelo cientista Qianggong Zhang, do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha (ICIMOD), em entrevista à AFP. O próprio pesquisador ressalvou que a “causa exata ainda será determinada”.
Uma quantidade ainda maior de água desceu violentamente pelo Bhotekoshi, atingindo os distritos de Nuwakot e Rasuwa. No ano passado, uma inundação repentina no mesmo rio foi atribuída ao rompimento das margens de um lago glacial — fenômeno que se tornou mais frequente com as mudanças climáticas e o derretimento irregular da neve no Himalaia.
No lado tibetano da fronteira, deslizamentos de lama deixaram pessoas desaparecidas em Gyirong. Imagens de drones exibidas pela TV estatal chinesa mostraram edifícios soterrados na zona portuária, onde mercadorias são comercializadas pela fronteira internacional. O canal CCTV informou sobre “muitas vítimas e desaparecidos” no local.
O presidente chinês, Xi Jinping, divulgou comunicado destacando a necessidade de prevenção contra enchentes. A agência Xinhua noticiou que ele ordenou a mobilização de “todos os recursos” para as operações de resgate.
Xi afirmou que “a tarefa mais urgente é fazer todo o possível para encontrar e resgatar os desaparecidos”, assim como “atender rapidamente os feridos e reduzir ao mínimo o número de vítimas”, segundo a CCTV.