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Lula defende soberania e diz que “Brasil não cabe no quintal de ninguém”, na abertura da Assembleia Geral da ONU
Termômetro da Política
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Na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22) em Nova York, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou em soberania e apontou pressão estrangeira sobre a política na América Latina e no Brasil.

Lula defende maior integração com países vizinhos governados por presidentes de direita (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

“Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, sobretudo no contexto do recrudescimento de tentações hegemônicas. O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, disse Lula.

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“Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais, a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais com recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, disse, ao citar Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba.

Lula defendeu integração e autodeterminação depois de décadas de ditadura. “Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para uma maior integração entre vizinhos. Os países da região reconheceram os horrores dos regimes de exceção. Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular”.

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“A democracia está novamente em xeque”. O mundo, segundo o presidente, voltou à “ingerência externa em processos eleitorais”, a zonas de influência e a “investidas neocoloniais” por recurso estratégico. O povo venezuelano deveria decidir o destino sem interferência; a Nicarágua não resolveria o problema barrando a oposição nas urnas. Falou da crise no Haiti e criticou o embargo a Cuba.

Sobre a campanha no Brasil: “Não subestimamos o desafio das redes de desinformação que pretendem contaminar o debate público durante a campanha”. “Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos ou externos, atentem contra a vontade popular. O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém nos afastará desse caminho”.

Lula também falou sobre negacionismo: “Na era da desinformação, os obscurantistas resistem às evidências da ciência”. “Nunca esqueceremos das milhões de vidas perdidas pelo descaso no enfrentamento à covid-19. Campanhas contra vacinas estão trazendo de volta doenças que julgávamos estar erradicadas. Enfraquecer a Organização Mundial da Saúde (OMS) torna todos mais vulneráveis.”

“Até pouco tempo, a reposta à mudança do clima estava consolidada no centro da agenda internacional. Este ano, o tema desapareceu dos debates do G7 e do G20, fóruns que reúnem os maiores emissores de carbono do mundo. É hora de retomar a ofensiva e impor uma derrota ao negacionismo.”

Na segurança, recusou força estrangeira no combate ao crime e pediu cooperação em arma e lavagem. “Não vamos transferir a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo”. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas; precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado”. Disse ter levado aos Estados Unidos proposta contra lavagem de criminosos brasileiros no exterior e que o país reforça a coordenação entre estados contra facções.

Fonte: Agência Brasil

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