O ator e diretor francês Arnaud Denis morreu nesta terça-feira (22), aos 43 anos, após eutanásia na Bélgica. O advogado Philippe Courtois disse que complicações de uma cirurgia deixaram o artista com dor intensa e invalidez grave.

Em 17 de julho de 2023 ele operou hérnia na virilha direita e recebeu prótese de polipropileno, segundo o Le Monde. A qualidade de vida despencou. Em janeiro, ao L’Est républicain, Arnaud Denis descreveu o quadro e anunciou a intenção de morrer:
“Não consigo mais sair de casa. Não tenho mais vida social. Não tenho mais vida alguma. Não tenho mais nada do que constitui a dignidade de um homem. E está piorando cada vez mais. (…) Os médicos não têm mais nada a me oferecer”, desabafou.
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Aluno de Jean-Laurent Cochet, passou um ano no Conservatório Nacional de Arte Dramática e saiu por tédio. Em 2003, aos 20, fundou a Compagnons de la chimère, que dirigiu 15 anos, e depois foi solo. A crítica elogiou Mademoiselle Molière e Marie des poules, de Gérard Savoisien, e A importância de ser constante, de Oscar Wilde.
Em 2023 montou “As ligações perigosas”, de Laclos, no Théâtre Tête d’or, em Lyon. Em setembro de 2024 a peça foi à Comédie des Champs-Elysées e ficou meses em cartaz. Quatro indicações ao Molières 2025, inclusive melhor direção; Delphine Depardieu levou melhor atriz como Mme de Merteuil. Denis seria Valmont e largou o papel quando a saúde piorou.
Courtois disse que a decisão passou por três médicos de Namur. “A decisão de Arnaud Denis foi tomada em consulta com três médicos de Namur [na Bélgica]. Seu corpo já não o sustentava. Ele havia perdido o controle sobre ele. A morte de Arnaud Denis é uma consequência das dores intensas que sofria havia muitos meses”. A família não quis falar.
Denis criou o coletivo “Vítimas francesas de próteses para hérnias”, com centenas de relatos de efeito adverso. Em 5 de janeiro de 2026 denunciou desconhecidos por lesões involuntárias. No fim de agosto o caso foi arquivado por “infração insuficientemente caracterizada”. O advogado: “Ele me encarregou de prosseguir pessoalmente com sua ação e de apoiar sua família”.
Em 18 de setembro, “revoltado e desiludido”, Denis escreveu no grupo Ebra: “Estão pisoteando o pouco que resta de mim”. No mesmo dia Courtois protocolou nova denúncia com constituição de parte civil para obter “a abertura de uma investigação judicial”.
Com informações de O Globo.