A colisão entre dois trens de alta velocidade na Espanha, que deixou ao menos 68 mortos nesta manhã, teria resultado da combinação de uma falha no sistema de segurança e de uma decisão humana do centro de controle. O trem da linha AVE atingiu a traseira de uma composição da Iryo que estava parada nos trilhos pouco antes das 9h (5h no horário de Brasília). Com o impacto, dois vagões do trem atingido descarrilaram e caíram em um barranco.

No início da manhã, o sistema LZB, responsável pela rede ferroviária espanhola, falhou e interrompeu a circulação em um trecho de 64 quilômetros. Três veículos ficaram parados em cada sentido, entre eles os da Iryo e da AVE. Após oito minutos, o Centro de Controle de Atocha autorizou a retomada parcial da operação. Com o controle manual, os trens receberam permissão para seguir, mas o da Iryo permaneceu parado. Até o momento não há esclarecimento sobre o motivo de ele não ter conseguido retomar a viagem.
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Um controlador da Adif, empresa estatal de gestão ferroviária, ordenou que o trem da AVE prosseguisse mesmo com o veículo da Iryo parado adiante. Segundo apuração do El País, o controlador via que a composição da Iryo estava parada e, ainda assim, autorizou o trem que vinha atrás a continuar em alta velocidade. O trem da AVE viajou 16 minutos sem receber qualquer aviso do controlador e colidiu com o veículo parado. Sem sistemas tecnológicos que indicassem o que havia à frente, o maquinista dependia exclusivamente das informações do centro de controle.
A velocidade média foi de 200 km/h e o trem da AVE percorreu cerca de 25 quilômetros até o impacto, segundo dados preliminares do ministro dos Transportes Óscar Puente. A informação, porém, não condiz com o tempo de circulação: a 200 km/h, o trem seria capaz de percorrer pouco mais de 50 quilômetros em 16 minutos. As autoridades ainda não identificaram o motivo da inação do controlador. Fontes do El País afirmam que o funcionário recebe “assistência jurídica e psicológica”. Ele é interrogado pela Guarda Civil e por técnicos da Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários. Puente descreveu como “inexplicável” a decisão do centro de controle de autorizar a viagem com um veículo parado à frente.
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“Uma colisão traseira na rede ferroviária espanhola é realmente inacreditável. Estamos tentando entender o que aconteceu, o que poderia ter ocorrido”, disse Oscar Puente, ministro dos Transportes do país.
A maior parte das vítimas estava no trem parado. Boletim atualizado pelo governo de Castilla-La Mancha às 14h13 (10h13 no horário de Brasília) informa que 40 pessoas estavam no trem Iryo e 24 no da AVE. Mais de 500 passageiros viajavam nos dois trens no momento da colisão. A porta-voz do Governo de Castilla-La Mancha, Esther Padilla, disse que o trem da Iryo transportava 146 passageiros, entre eles um bebê, e o da AVE levava 397 pessoas. “A situação vai piorar”, afirmou ela à TVE.
O governo espanhol e as autoridades de Madri cancelaram os compromissos públicos de hoje. A coletiva que apresentaria o Orçamento Geral do Estado para 2027 foi adiada. A Guarda Civil mobilizou equipe do Serviço de Criminalística especializada em grandes tragédias. Os peritos seguiram de Madri a Toledo para examinar vestígios, coletar provas e emitir laudos sobre a causa da colisão. O prefeito de Madri, José Luis Martínez-Almeida, declarou solidariedade e enviou equipes de resgate: “Todo o nosso amor e apoio às vítimas e suas famílias. De Madri, estamos mobilizando recursos do SAMUR – Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, que já estão a caminho do local para auxiliar nos esforços de emergência”.
Com informações do portal UOL.