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Gabinete de Mendonça estaria pronto para enquadrar Lulinha como sócio do ‘Careca do INSS’, revela site
Termômetro da Política
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Enquanto a negociação de uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro monopoliza as atenções políticas, avança em paralelo, de forma discreta, outro inquérito de alto impacto eleitoral no Supremo Tribunal Federal: as fraudes em aposentadorias pagas pelo INSS. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça, e informações que circulam nos corredores do Congresso reveladas pelo site da revista Carta Capital apontam que o gabinete do togado estaria preparado para caracterizar Fabio Luis da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula, como sócio de Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

André Mendonça aguarda relatório da Polícia Federal sobre o andamento das apurações (Foto: Carlos Moura/SCO/STF)

Ainda não há definição final. O ministro aguarda, nos próximos dias, um relatório da Polícia Federal sobre o andamento das apurações, com ênfase nas descobertas obtidas a partir da quebra dos sigilos bancário e fiscal da empresária Roberta Luchsinger. Amiga de Lulinha e de sua esposa, Roberta teve os sigilos quebrados por Mendonça no início do ano, medida que também alcançou o filho do presidente. Posteriormente, a CPMI do INSS repetiu a providência, sem encontrar elementos incriminadores contra Fabio Luis, a julgar pelo material que vazou para a imprensa.

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, amigo e conselheiro jurídico de Lulinha, descartou a possibilidade de enquadramento. “Não acredito [que haja essa caraterização do Fabio]. Não há elementos [para isso]”, afirmou. Ele disse confiar “na condução serena do ministro André Mendonça desse caso”.

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O inquérito da PF mudou de mãos em maio, saindo da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores, o que levou à substituição do delegado original, Guilherme Figueiredo da Silva. O documento agora aguardado por Mendonça foi solicitado após essa transição.

Roberta Luchsinger tem histórico de proximidade com o PT: em 2017, anunciou doação a Lula quando ele teve as contas bloqueadas pelo então juiz Sergio Moro; no ano seguinte, candidatou-se a deputada estadual em São Paulo pela legenda, declarando patrimônio de R$ 1,5 milhão à Justiça Eleitoral — valor coincidente com o que a PF informou ao Supremo ter sido repassado a ela pelo “Careca do INSS”.

O Coaf identificou R$ 1,1 milhão pagos por empresa de Antunes a uma empresa de Roberta e, ao todo, R$ 2,6 milhões repassados pela dupla (empresária e pai) ao “Careca do INSS”. Esses elos financeiros constam de decisão de dezembro do STF que determinou a prisão preventiva do filho de Antunes, o uso de tornozeleira eletrônica por Roberta e o confisco de seu passaporte.

Mensagens trocadas entre Antunes e seu funcionário Milton Salvador de Almeida Jr. falam em pagamento de R$ 300 mil para “o filho do rapaz”. Em seguida, Milton envia a Antunes comprovante de transferência de R$ 300 mil para Roberta. Outra troca de mensagens entre Roberta e Antunes menciona: “Acharam um envelope com nome do nosso amigo no dia da busca e apreensão”. Em 5 de maio de 2025, ela escreveu: “Na época do Fábio falaram de Friboi, de um monte de coisa o (sic) maior… igual agora com você” — referência a fake news que associavam Lulinha à JBS-Friboi.

Um ex-funcionário de Antunes, Edson Claro, disse em depoimento à PF que Antunes e Fabio Luis eram sócios, que o primeiro teria pago R$ 25 milhões ao segundo e ainda repassaria mesada de R$ 300 mil. Claro prestou boletim de ocorrência contra Antunes na Polícia Civil paulista, alegando ameaças de morte, o que ajudou a PF a conseguir a prisão preventiva do “Careca do INSS”. Já preso, Antunes declarou à CPMI ter sido extorquido por Claro, que teria furtado veículos seus. No mesmo depoimento, o “Careca do INSS” se definiu como “empreendedor nato”.

Investigadores avaliam que Antunes buscava fazer negócios no governo Lula e tentou se aproximar de pessoas próximas ao círculo do presidente. Um interlocutor de Lulinha avalia que o “Careca” teria tentado “comprar as amizades de Roberta” para chegar ao filho do presidente. Se confirmada, a hipótese configuraria, em tese, tráfico de influência — e não necessariamente relação direta com as fraudes em aposentadorias.

O inquérito segue em curso no STF. A caracterização de Lulinha como sócio do “Careca do INSS” ainda depende da conclusão das investigações da Polícia Federal.

Com informações da Carta Capital.

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