O Partido Liberal (PL) oficializou neste sábado (25), em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Em seu primeiro discurso como candidato, Flávio prometeu honrar o legado do pai, Jair Bolsonaro, atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o Brasil foi “sequestrado” e prometeu “libertar o país desse cativeiro”.

A convenção reuniu familiares, aliados e lideranças da direita. O evento contou com um vídeo produzido com inteligência artificial para simular um pronunciamento de Jair Bolsonaro, uma manifestação de apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e um discurso do presidente da Argentina, Javier Milei. Flávio não anunciou o nome do vice.
Esta é a primeira candidatura presidencial de Flávio, filho mais velho de Jair Bolsonaro. Senador eleito em 2018, ele foi deputado estadual no Rio de Janeiro por quatro mandatos e disputou a Prefeitura do Rio em 2016, quando terminou em quarto lugar.
Em fala de cerca de 15 minutos, Flávio afirmou que sua candidatura representa a continuidade do projeto político de Jair Bolsonaro e classificou o pai como “o maior líder da direita que esse país já teve”. Disse que o ex-presidente sofreu três tentativas de ser “eliminado”: a facada em 2018, a prisão e o isolamento imposto pela Justiça.
Favorite o Termômetro da Política no Google e acompanhe as notícias mais importantes para o seu dia
O senador atacou o STF, especialmente o ministro Alexandre de Moraes, a quem acusou de perseguir adversários políticos e restringir a liberdade de expressão. Afirmou que, se Lula for reeleito, poderá indicar mais quatro ministros para a Corte, o que colocaria em risco a liberdade de imprensa, a atuação de parlamentares de oposição e a manifestação de cidadãos nas redes sociais.
Também criticou o governo Lula e classificou a eleição de 2026 como uma disputa entre quem defende a liberdade e quem busca concentrar poder. Em tom emocionado, prometeu dar continuidade ao legado do pai: “Pai, eu vou te honrar. E você vai colocar essa faixa de presidente em mim em janeiro do ano que vem.”
Na reta final, apresentou propostas: redução de impostos, fortalecimento de uma maioria de centro-direita no Congresso, penas mais duras para criminosos, responsabilização de adolescentes autores de crimes graves, aumento das penas para agressores de mulheres e castração química para condenados por estupro de crianças. Defendeu ainda o endurecimento da legislação penal e disse esperar receber a faixa presidencial do ex-presidente em janeiro de 2027.
A convenção exibiu um vídeo produzido com inteligência artificial para simular um pronunciamento de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Na gravação, o ex-presidente afirma estar “preso e calado por uma decisão arbitrária”, diz que “nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança” despertado por seu movimento e pede que os apoiadores recebam Flávio “de braços abertos” como candidato à Presidência.
Leia também
Datafolha: Lula sobe para 48% e Flávio Bolsonaro se mantém nos 43% em simulação de 2º turno
“Estou preso e calado por uma decisão arbitrária. Nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança que despertamos.”
O vídeo reforça que Flávio representa a continuidade do projeto político do pai.
Entre os familiares presentes estava Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio e ex-esposa de Jair Bolsonaro, indicada como primeira suplente de Márcio Canella (União Brasil) na disputa pelo Senado no Rio de Janeiro. Eduardo e Carlos Bolsonaro participaram por vídeos gravados.
Dos Estados Unidos, Eduardo pediu união em torno da candidatura do irmão. “Vamos vencer essa eleição, soltar Bolsonaro e anistiar os presos de 8 de janeiro.” Ao encerrar, afirmou: “Não há mais tempo para ego, projeto pessoal. É Flávio Bolsonaro eleito.”
Carlos destacou a relação com o irmão e disse confiar nele para dar continuidade ao legado político do pai. Flávio chorou enquanto assistia à mensagem.
Michelle Bolsonaro participou por vídeo, na primeira manifestação pública de apoio à candidatura do enteado desde o rompimento encerrado nesta semana após pedido público de desculpas do senador. Sem citar o desentendimento, a ex-primeira-dama afirmou que permaneceu em casa para cuidar de Jair Bolsonaro e disse que a ausência do ex-presidente “fala muito mais alto” por representar milhões de brasileiros que depositaram confiança nele.
Ela defendeu maior participação feminina na política e citou Flávio apenas uma vez: “Flávio, que Deus abençoe e proteja sua candidatura.”
A esposa de Flávio, a cirurgiã-dentista Fernanda Bolsonaro, também discursou. A campanha ampliou a participação dela nos atos públicos. No palco, Fernanda disse que falava como mulher, mãe, cirurgiã-dentista e brasileira. Brincou com a falta de experiência — “Estou até com uma colinha” — e afirmou que o marido está “muito consciente da missão” que assumiu. Defendeu o combate ao feminicídio, criticou a carga tributária e afirmou que “ninguém aguenta mais quatro anos de PT”.
Ao final, dirigiu-se ao marido: “Meu amor, eu vou sempre estar ao seu lado. Eu e nossas filhas temos muito orgulho da coragem de você seguir nessa missão e do homem de Deus que você se tornou.”
Convidado de honra, o presidente da Argentina, Javier Milei, fez um discurso em defesa da liberdade econômica e com ataques ao socialismo. Afirmou que o Brasil vive uma disputa entre “a liberdade” e a continuidade de um modelo de “submissão” e disse que o resultado da eleição terá consequências pelas próximas décadas.
Milei atribuiu a crise econômica argentina às políticas de governos socialistas e declarou apoio a Flávio, a quem chamou de “a pessoa que hoje pode parar Lula” e de “filho de um amigo”, em referência a Jair Bolsonaro. Disse lamentar não ter conseguido visitar o ex-presidente por restrições da Justiça e classificou a prisão domiciliar como injustiça de “caráter vingativo”.
Ao encerrar, repetiu seu bordão: “Viva la libertad, carajo.”
Flávio não anunciou o vice. Ele tem dito que gostaria de uma mulher na chapa, mas a definição depende das negociações de alianças. A federação PP-União Brasil e o Republicanos vêm indicando preferência pela neutralidade. Um acordo com o Republicanos poderia levar a economista Daniella Marques à vaga. No PP, um dos nomes cotados é a deputada Simone Marquetto. A senadora Tereza Cristina já descartou formar chapa.
O PL é o partido com mais deputados e senadores e, se não fechar coligações, pode anunciar uma chapa “puro-sangue”. A data limite é 15 de agosto.
Outros pré-candidatos ainda realizarão convenções: Ronaldo Caiado (PSD) neste domingo (26), com Gilberto Kassab de vice; Romeu Zema (Novo) na segunda (27); e Lula (PT) em 2 de agosto, com Geraldo Alckmin de vice.
Flávio foi escolhido pelo pai em dezembro para disputar a eleição como representante da família. Naquele mês, a Quaest já o apontava como principal oponente de Lula. O desempenho melhorou até o pico de 33% em maio, contra 39% do petista. Desde então, registrou queda após o caso “Dark Horse”, quando veio à tona que ele cobrou dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o pai. Na pesquisa deste mês, aparece com 28% no primeiro turno, doze pontos atrás de Lula.
Na última quinta (23), o ministro André Mendonça autorizou a PF a investigar os repasses de Vorcaro. Outro inquérito, de Flávio Dino, apura possível desvio de emendas em favor da produtora do filme.
O novo tarifaço do governo Trump e a briga com Michelle também geraram preocupação. No fim de junho, a ex-primeira-dama postou vídeo dizendo ter sido maltratada. A paz foi selada nesta quinta, quando Flávio pediu desculpas e Michelle respondeu: “Aceito teu pedido. Eu te desculpo”.
Quando anunciou a candidatura, Flávio se apresentou como versão moderada do pai: “Sempre pediram um Bolsonaro mais moderado. Eu sempre fui assim, eu sou esse Bolsonaro mais moderado, equilibrado, centrado”. Nas últimas semanas, endureceu as críticas ao STF após ser proibido de visitar o pai por 90 dias.
Flávio também foi investigado em 2020 por rachadinhas no Rio de Janeiro. As provas foram anuladas por foro privilegiado. Durante a investigação, comprou uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília.
Na pré-campanha, apresentou o plano “Brasil sem Medo”, com propostas de redução da maioridade penal e castração química, e o programa “Brasil por Elas”, voltado ao público feminino.
Com informações do portal g1.