A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS identificou a participação de “grandes igrejas” no esquema de descontos ilegais de aposentados. A declaração, feita durante entrevista ao SBT News no último domingo, gerou repercussão e provocou reação imediata do pastor Silas Malafaia.

“Quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: ‘não falem, não digam, não investiguem, porque os fiéis vão ficar muito tristes'”, disse Damares Alves, destacando que o possível envolvimento de entidades religiosas “causa profundo desconforto e tristeza”. Ela reforçou que as informações são públicas e foram discutidas na comissão: “Ainda assim, a CPMI tem o dever constitucional de apurar os fatos com responsabilidade, imparcialidade e base documental”.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Silas Malafaia cobrou que a senadora apresentasse provas e os nomes das igrejas envolvidas. “Ou a senhora dá os nomes ou a senhora é uma leviana linguaruda”, afirmou o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Ele completou: “Se já não bastasse Satanás e os ímpios que nos odeiam para nos caluniar, vem alguém dita evangélica e traz uma denúncia dessa gravidade sem dar nomes? […] A senhora guarde sua língua e, se não tem os nomes, cale a boca. Se tem, denuncie para o bem da igreja evangélica”.
Malafaia disse ainda que a liderança evangélica do país “está indignada” com a postura “covarde e vergonhosa” da senadora e que não passará a mão na cabeça de ninguém, mas que Damares deve apresentar provas.
A discussão reacendeu uma antiga rixa entre Malafaia e Damares. Desde a formação das alianças para a corrida presidencial de 2022, o pastor tem dirigido afirmações duras à senadora. Malafaia mantém forte ligação com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enquanto Damares é próxima da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o que torna o embate parte das disputas internas na cúpula bolsonarista e repercute entre a base política e a militância.
A postura combativa de Malafaia, marcada pelo uso de palavrões, tem gerado desgaste. Pastores e deputados não concordam com o comportamento ofensivo de xingar lideranças por discordar delas, considerando que o vocabulário e as atitudes não servem de exemplo. A situação ficou evidente na eleição da presidência da Frente Parlamentar Evangélica, quando parlamentares não esconderam a condenação ao comportamento do pastor.
Damares, por sua vez, é criticada pela ala mais conservadora do segmento evangélico, que a considera progressista. A senadora tem sido questionada por mencionar pessoas trans, sugerir projetos para proibir perfis anônimos nas redes sociais para proteger crianças e adotar outras posturas vistas como distantes da linha mais tradicional.
A declaração de Damares ocorreu no contexto das investigações da CPMI do INSS, que apura descontos indevidos em benefícios previdenciários. Preso nesta quarta-feira (14), o cunhado do dono do Banco Master é pastor e frequentava a Igreja da Lagoinha, em Minas Gerais, tendo sido alvo de pedido de depoimento na comissão que acabou não votado.
Com informações do portal UOL.