A Polícia Federal apura se recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro foram usados para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro durante sua permanência nos Estados Unidos. A linha de investigação busca esclarecer se o dinheiro transferido oficialmente para a produção do filme “Dark Horse” — que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro — serviu realmente para o projeto audiovisual ou se houve desvio de finalidade.

Investigadores também tentam entender o papel do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas negociações e qual teria sido a destinação final dos valores. Flávio é pré-candidato à Presidência da República.
A avaliação interna da PF é de que o esclarecimento do fluxo financeiro é peça-chave para dimensionar o alcance político e financeiro das conexões em torno de Vorcaro, dono do Banco Master.
Leia também
Pai de Daniel Vorcaro é preso na 6ª fase da Operação Compliance Zero
Nesta quarta-feira (13), o site Intercept Brasil divulgou mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, além de um áudio enviado pelo senador. Nos diálogos, Flávio cobra repasses prometidos para a produção do filme.
Em 8 de setembro de 2025, Flávio enviou o seguinte áudio a Vorcaro:
“Irmão, preferi mandar um áudio aqui para você ouvir com calma. Bom, aqui a gente tá passando por um dos momentos mais difíceis das nossas vidas, né? Não sei como vai ser tudo daqui para frente, como tudo vai acabar, mas tá na mão de Deus aí. Você eu sei que tá passando por um momento dificílimo aí também. Essa confusão toda, né. Você sem saber como vai caminhar isso tudo… E, apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas, enfim, é porque tá num momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, tá todo mundo tenso e fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né. Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus… os caras renomadíssimos no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim. Todo efeito positivo que a gente tem certeza que vai vir nesse filme pode ter o efeito elevado a menos um aí, cara. Então, se você puder me dar um toque, uma posição aí, Daniel… Porque a gente precisa saber o que que faz da vida, cara, porque já tem muita conta para pagar esse mês, e o mês seguinte também. E agora que é reta final a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos, porque se não a gente perde tudo, cara. Todo o contrato. Perde ator, diretor, perde equipe, perde tudo. Se puder me dar um toque aí, irmão, abração.. fica com Deus.”
De acordo com o Intercept Brasil, Vorcaro pagou ao menos R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações destinadas ao filme. O acordo total previa R$ 134 milhões. Parte dos recursos foi intermediada pela empresa Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas de Vorcaro, e transferida para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mário Frias (PL-SP) teriam atuado como intermediários nas negociações, junto com o empresário Thiago Miranda e Fabiano Zettel, apontado pela PF como principal operador de Vorcaro.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) comentou o caso em vídeo publicado nesta quinta-feira (14) no Instagram: “O filme era um código quando Flávio Bolsonaro falava com ele [Daniel Vorcaro]. O verdadeiro filme era livrar a cara de Jair Bolsonaro fazendo uma campanha contra o Brasil”.
Lindbergh Farias afirmou ainda que US$ 2 milhões de Vorcaro foram transferidos para um fundo sediado no Texas que teria como sócio o advogado de Eduardo Bolsonaro.
Eduardo Bolsonaro ainda não se manifestou sobre o assunto.
Com informações do portal g1.