A divulgação pública do embate entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL) gerou prejuízo claro à pré-candidatura presidencial do parlamentar, segundo os números mais recentes do instituto AtlasIntel. Os dados, debatidos no programa Os Três Poderes, mostram que a maior parte do eleitorado considera o episódio um fator de enfraquecimento para o nome do PL.

De acordo com o levantamento, 64,1% dos entrevistados avaliam que a exposição do conflito familiar prejudicou as pretensões de Flávio. Apenas 9,2% enxergam efeito positivo. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, o quadro se inverte em relação à opinião geral: 65,6% reprovam a iniciativa de Michelle de tornar o vídeo público, enquanto 26,5% a apoiam. No conjunto da população, 51% concordam com a divulgação.
Durante a análise no programa, José Benedito da Silva ressaltou a fragmentação provocada dentro do campo conservador. “O vídeo da Michelle dividiu bastante a direita”, afirmou. Para o jornalista, parte relevante do eleitorado considera que a ex-primeira-dama criou obstáculos para a candidatura do senador e, indiretamente, beneficiou o presidente Lula, embora outro segmento defenda a transparência das divergências.
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José Benedito também chamou atenção para o papel estratégico que Michelle exercia na articulação nacional do PL, especialmente na busca por apoio entre mulheres e eleitores conservadores. Dirigentes do partido a viam como uma das principais referências de mobilização ao lado de outras lideranças. O rompimento, na avaliação dele, atinge justamente o segmento em que Flávio tem mais dificuldade de avançar.
Outro ponto destacado pelo comentarista diz respeito às negociações de alianças. Partidos que ainda avaliam eventual apoio ao senador podem interpretar a sequência de conflitos como sinal de instabilidade. “Quem está de fora vai olhar e perguntar: ‘Será que eu devo entrar nessa casa?’”, observou.
Laryssa Borges, por sua vez, comparou o momento atual com o início do ano e concluiu que o cenário ficou mais complicado para Flávio. Ela citou o indicador segundo o qual 48% dos entrevistados manifestam receio de um eventual governo do senador. “Isso mostra que o momento político é muito desfavorável ao Flávio”, afirmou a jornalista. Além da crise familiar, ela mencionou outros fatores recentes que aumentam a pressão sobre a campanha, como a demora do parlamentar em responder a declarações de Paulo Figueiredo e a repercussão da carta enviada ao governo americano sobre o adiamento do tarifaço.
Apesar do desgaste, a pesquisa traz um dado favorável a Flávio dentro do universo bolsonarista: 43% dos entrevistados apontam o senador como o nome mais indicado para suceder politicamente Jair Bolsonaro. Michelle Bolsonaro aparece com menos de 4% nesse recorte específico.
Os participantes do debate avaliaram que o levantamento revela um quadro ambíguo: a crise familiar enfraquece a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e amplia a percepção de instabilidade dentro do PL, mas também mostra que Michelle Bolsonaro enfrenta forte resistência entre os eleitores mais identificados com o ex-presidente, mantendo Flávio como principal herdeiro político desse grupo.
Com informações do portal Veja.